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Uso de botos do Amazonas como isca para pesca pode causar extinção da espécie | Imagemnews.com.br Agência Imagemnews - Jornal Eletrônico, Notícias de Rondônia e Região Uso de botos do Amazonas como isca para pesca pode causar extinção da espécie
13/2/2014 - 16:51 - ( Meio-Ambiente )

Levantamento  feito pela pesquisadora Sannie Muniz Brum com 35 comunidades de pescadores  em área de reserva de desenvolvimento sustentável, na região do Baixo Rio Purus, no Amazonas, constatou  que botos-vermelhos, conhecidos também como botos-cor-de-rosa, estão sendo mortos e usados como isca para a pesca do peixe piracatinga (Callophysus macropterus).

Sannie é pesquisadora  do Instituto Piagaçu (IPI) e colaboradora da Associação Amigos do Peixe-boi (Ampa). O projeto teve apoio da Fundação Boticário de Proteção à Natureza. Sannie alerta que, no longo prazo, essa prática pode acabar levando à extinção do "golfinho da Amazônia". “As medidas têm que ser tomadas agora. Senão, é extinção”, disse Sannie hoje (13) à Agência Brasil.

A coordenadora adjunta do Centro  Nacional de Pesquisa e Conservação de Mamíferos Aquáticos (CMA) do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), Carla  Marques, disse que, em comitês internacionais, o governo brasileiro tem sido cobrado sobre a preservação dos botos da Amazônia.

O problema, disse, é que não há pessoal suficiente para exercer uma fiscalização contínua na região. O ICMBio fiscaliza  as áreas dentro das unidades de conservação e o Instituto Nacional do Meio Ambiente e Recursos Naturais Renováveis (Ibama) se encarrega de fiscalizar fora dessas unidades. “Dentro do instituto tem uma política de tentar evitar que ocorram essas práticas, mas o ICMBio não tem o poder de polícia”.

Carla Marques  informou que têm sido feitas campanhas pelo governo em conjunto com o Centro de Estudo e Pesquisa da Amazônia (Cepam). O órgão do Ministério do Meio Ambiente tem conhecimento  da utilização do golfinho como isca para pesca, o que é ilegal, e está articulando ações para coibir a prática em parceria com o Ibama e o próprio ministério. “A gente tem feito algumas ações de fiscalização em conjunto com o Ibama, mas as ações são pontuais. A Amazônia é um mundo inteiro. A gente não consegue coibir tudo”.

Carla admitiu que esse é um problema de difícil solução e que ocorre em outros países. Ela acredita que para resolver o problema, só com fiscalização. “Está todo mundo  pensando em tentar  mitigar esse problema, mas é de difícil solução pela falta de pessoal que se tem. Os dois órgãos têm pouco contingente para atender a uma região como a Amazônia”. Ela relatou, inclusive, que algumas ações ocorrem  em parceria com a Polícia Federal e as polícias locais. “Mas são pontuais. A gente não consegue estar presente o tempo todo. E a pesca continua”.

Além de uma fiscalização mais rigorosa e permanente, a pesquisadora Sannie Brum defendeu  a necessidade de se levar às comunidades que habitam em áreas protegidas informações para que saibam que é crime e ilegal usar botos-vermelhos como isca para a pesca.  “É preciso que haja uma conscientização. Eles [pescadores] sabem que é proibido, que não podem fazer”. É preciso que haja uma coibição efetiva para que decidam parar essa prática. “Educar e trazer informações são medidas para a conscientização dos pescadores”.

Segundo a pesquisadora, a mortalidade do golfinhos é elevada na região do Baixo Purus devido à atividade de pesca da piracatinga. Considerando 15 toneladas  pescadas somente na região, de acordo com relato dos próprios pescadores, a estimativa é que até 144 botos-cor-de-rosa sejam mortos por ano para virar isca. “É um absurdo”.

A situação se agrava considerando que os golfinhos têm uma reprodução lenta. As fêmeas têm uma gestação de cerca de dez meses e, após o nascimento, podem cuidar dos filhotes por até quatro anos. Com isso, a inserção de novos botos na natureza é demorada. Sannie diz que a morte de uma grande quantidade desses animais pode inviabilizar a manutenção da espécie.

Para a pesquisadora, a fiscalização  é importante, mas constitui o primeiro passo. “Ela tem que ser mais efetiva e aberta à discussão”. Ela reiterou a necessidade de uma grande campanha de educação ambiental nas comunidades, para que os moradores entendam a importância que o boto tem para o meio ambiente e para ele mesmo. Hoje, disse, o pescador vê o boto como um concorrente para suas atividades de pesca.  “A gente precisa mudar isso. E só muda com educação”.

Sannie Brum pretende começar uma nova pesquisa para descobrir o que pode ser usado como alternativa de  isca para a pesca da piracatinga. A coordenadora adjunta do CMA, Carla Marques, informou que esse é um tipo de peixe que se alimenta de carne morta ou em putrefação. Por isso, é rejeitado como alimento  pelos próprios pescadores.

Sannie Brum explicou que apesar disso, eles  vendem o produto para  mercados de São Paulo, do Paraná e do Nordeste e, inclusive, para outros países, como a Colômbia. Para isso,  usam o nome fantasia de “douradinha”. Como é vendido  sob a forma de filé, a piracatinga acaba sendo comprada pelos consumidores que o confundem com um peixe nobre, a dourada (Brachyplathystoma flavicans).


Fonte : Agência Brasil    Autor : Agência Brasil

 
 
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