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EFICIÊNCIA DE SISTEMAS DE PESQUISA - Daniel Nascimento e Silva, PhD | Imagemnews.com.br Agência Imagemnews - Jornal Eletrônico, Notícias de Rondônia e Região EFICIÊNCIA DE SISTEMAS DE PESQUISA - Daniel Nascimento e Silva, PhD
21/12/2015 - 18:11 - ( Artigo )

Os sistemas de pesquisas são abundantes em termos de saídas. Talvez seja o sistema mais abundante e difícil de mensurar seus resultados. Da mesma forma que os demais sistemas finalísticos (ensino, extensão, inovação e empreendedorismo), as saídas dos sistemas de pesquisas se conjugam com os demais sistemas configurando-se modalidades duais, tríplices e multimodais de novos resultados. 

Por exemplo, os resultados de pesquisa podem se configurar em atividades de extensão (modalidade dual) e ao mesmo tempo ser transformado em produto (modalidade tríplice). Se for uma inovação, está-se diante de modalidade multimodal. É por essa razão que muitos servidores consideram a pesquisa o foco da criação e sustentação dos resultados dos demais sistemas. Este texto tem como objetivo mostrar os principais aspectos da mensuração da eficiência de sistemas de pesquisa.

Grosso modo, as atividades de pesquisas das organizações de ciência e tecnologia podem ser divididas em dois grupos: a pesquisa centrada no aprendizado e a pesquisa centrada na inovação. A pesquisa centrada no aprendizado tem como objetivo preparar novos pesquisadores ou consolidar o conteúdo de ensino através da prática da pesquisa. 

Programas de pós-graduação stricto sensu são exemplos de pesquisa centrada no aprendizado, assim como a execução de projetos de pesquisas de estudantes de ensino médio, cuja preocupação maior é com a compreensão de metodologias, do processo de 
produção, de conhecimentos e não com o resultado em si. Em ambos os casos, a pesquisa ajuda a consolidar o conteúdo do ensino ao mesmo tempo em que permite aos alunos o aprendizado do processo de pesquisa. 

Os resultados deste sistema, portanto, devem ser mensurados em conformidade com os objetivos pretendidos pelos sistemas envolvidos (ensino e pesquisa, por exemplo).

A pesquisa centrada na inovação tem como finalidade a contribuição real do pesquisador ou grupo de pesquisadores para com determinada área de conhecimento. Aqui a preocupação é com a descoberta de novos horizontes ou aperfeiçoamentos de determinados aspectos de fenômenos já conhecidos. O desafio deste grupo é inovar. 

Muitas vezes, programas de ensino (principalmente mestrado e doutorado) são consequências naturais da excelência da produção desses pesquisadores agrupados em torno de determinada área ou fenômeno. De qualquer forma, seus resultados devem ser mensurados a partir do foco na inovação.

Determinado pesquisador considerava-se muito produtivo. No entanto, a única comprovação de sua produção eram dois ou três protótipos de microprocessadores. Nenhuma publicação, nenhum relatório havia de suas atividades de pesquisa. No entanto, 
em alguns eventos de nível médio, seus alunos sempre se sobressaíram e conseguiam conquistar os primeiros lugares em termos de inovação. 

Como a sua organização de ciência e tecnologia não mensurava resultados, conquistando ou não prêmios a indiferença permanecia. Outro pesquisador, que contava com cinco alunos de mestrado e três de doutorado sob sua responsabilidade, criou um sistema de produção em que os alunos de doutorado já qualificados ajudavam a orientar os alunos de mestrado; os alunos de mestrado qualificados ajudavam a orientar alunos de especialização e graduação. 

A meta de cada aluno de mestrado era apresentar dois relatórios integrais por ano e, os de doutorado, quatro. Anualmente, portanto, esse pesquisador produzia, no mínimo, 40 relatórios integrais de pesquisa, que se transformavam, em média, em 30 artigos produzidos que, como consequência, davam lugar a 20 artigos publicados, em média, em revistas qualificadas e anais de eventos.

O que diferenciam esses dois pesquisadores? Ambos produzem, mas não há um sistema de mensuração que lhes permitam “ver” sua produção e torne possível compará-la com a produção de outros pesquisadores. No primeiro caso, um sistema de mensuração poderia computar o número de participação em eventos de nível médio, o número de protótipos produzidos, o número de primeiros lugares conquistados, a quantidade de reportagens de jornais de que foram alvo, dentre outros; no segundo caso, número de relatórios parciais e integrais registrados, número de artigos produzidos, números de artigos publicados em anais de eventos e número de artigos publicados em periódicos qualificados são apenas alguns dos indicadores de eficiência do sistema de pesquisa de que o pesquisador faz parte. 

Isso precisa ser mensurado e avaliada sua eficiência. Universidades e institutos federais têm muita produção. Assim como outras organizações de ciência e tecnologia, toda essa produção não é sistematizadamente mensurada e avaliada. Mensurar e avaliar não é apenas uma exigência de profissionalização da gestão, mas acima de tudo uma forma de prestação de contas para com a sociedade, sua principal investidora e interessada nos resultados. 

Mensurar e avaliar os resultados dessas organizações vai evidenciar o quanto se produz e contribui para com o desenvolvimento do País, mas fundamentalmente permitirá aperfeiçoar os diversos sistemas de produção de pesquisa espalhados pelo território nacional.

Certa vez um pesquisador me falou que era discriminado pela sua instituição. Publicava, em média, cinco textos em anais de congressos e periódicos qualificados e recebia apenas metade do que precisava para suas pesquisas, enquanto o pesquisador B publicava apenas um livro a cada dois anos e dois artigos em periódicos internacionais e contava com o apoio de diversos financiadores nacionais e internacionais. Só não disse que a “pouca” produção do pesquisador B era citada centenas de vezes ao ano, enquanto as suas muitas produções só receberam três citações em cinco anos... E dele mesmo. Mensurar a eficiência também ajuda a reduzir injustiças, ciúmes, invejas...


Daniel Nascimento-e-Silva, PhD

Professor e Pesquisador do Instituto Federal do Amazonas (IFAM)

Fonte : ImagemNews.com.br    Autor : ImagemNews.com.br

 
 
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