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Gilmar Mendes afaga Tarcísio em fala sobre responsabilidade fiscal

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O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Gilmar Mendes mencionou, em tom elogioso, a decisão do governo Tarcísio de Freitas (Republicanos) de transferir verbas da pasta da Educação para a Saúde a partir de uma PEC aprovada em novembro do ano passado.

O governador de São Paulo e o ministro do STF têm uma relação amistosa. No início de julho, Tarcísio esteve no fórum promovido por Gilmar em Portugal, o que provocou desgastes com a família Bolsonaro.

Em pronunciamento feito durante a conferência anual do banco Santander, nesta quarta-feira (20/8), em que discutia a responsabilidade fiscal e gastos orçamentários, o decano do Supremo defendeu a revisão de trechos de alguns dispositivos constitucionais que preveem despesas obrigatórias.

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“Eu já escutei, por exemplo, do governador Tarcísio, em relação às despesas obrigatórias. Elas são positivas, mas elas têm também o seu calcanhar de Aquiles, quando a gente sabe que em determinados locais, nós já temos boas soluções para a saúde e boas soluções para educação, mas continuamos com essas despesas obrigatórias”, disse Gilmar Mendes.

O ministro mencionou a iniciativa adotada em São Paulo. “São Paulo mesmo, recentemente, fez uma emenda flexibilizando gastos da saúde e educação, permitindo a sua conjugação”, continuou.

Gilmar Mendes fez referência ao projeto de emenda constitucional de autoria do governo de SP que alterou a Constituição estadual, reduzindo de 30% para 25% o percentual mínimo aplicado pelo estado com despesas ligadas à Educação. O principal argumento a favor dessa mudança é que essa diferença configura um valor extra de até R$ 11,3 bilhões que estaria sobrando na pasta e será destinado à Saúde.

Com a mudança proposta pela gestão Tarcísio, o estado de São Paulo ficou no limite do que determina a Constituição Federal, que prevê que a Educação deve receber pelo menos 25% dos recursos totais do orçamento, enquanto a Saúde fica com, no mínimo, 12% das despesas.

Para Gilmar Mendes, essa revisão das despesas obrigatórias é positiva porque deixa mais espaço para as despesas discricionárias, que são aquelas nas quais os governos têm liberdade para decidir como alocar dentro do orçamento.

O projeto, contudo, foi fortemente criticado pela oposição à gestão Tarcísio. Opositores negam que haja um excesso de orçamento na Educação e defendem que a imposição orçamentária é uma forma de garantir os investimentos na área. Na época, o governo do estado argumentou que não faltaria verba para a pasta.

Durante o evento desta quarta, Gilmar Mendes defendeu que o STF tem como marca histórica a preocupação com a responsabilidade fiscal e sugeriu que o atual governo proponha uma nova lei que balize o regime orçamentário – projeto defendido pelo antigo presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (PSD). Segundo Gilmar, o atual código fiscal atual está “demodê”.


Como Tarcísio mudou o mínimo da Educação em SP

  • A Constituição Federal prevê que a Educação deve receber pelo menos 25% dos recursos totais do orçamento, enquanto a Saúde fica com, no mínimo, 12%.
  • Mas em São Paulo, a regra era diferente. A Saúde segue o mesmo patamar nacional, de 12%, mas a Educação tem um piso de gastos superior, de 30%, definido pela Constituição paulista.
  • Apelidada de “PEC do Manejo” pela oposição, a PEC 9/2023, modificou a Constituição paulista para reduzir em 5% o mínimo de investimento obrigatório destinado à Educação.
  • A proposta foi aprovada em novembro de 2024 pela Assembleia Legislativa (Alesp).
  • A votação do primeiro turno aconteceu sob os gritos de protestos de estudantes, que lotaram a galeria da Plenária Juscelino Kubitschek.
  • Em um dos momentos mais tensos da sessão, o deputado Major Mecca e a deputada Professora Bebel trocaram farpas sobre a presença da Polícia Militar na galeria.

 

Fonte: www.metropoles.com