Uma das principais formuladoras de combustível do país para “postos de bandeira branca”, que não têm vínculo com nenhuma grande distribuidora, a Copape é acusada de sonegar milhões de reais em tributos no estado de São Paulo. De acordo com dados de julho da Procuradoria-Geral do Estado (PGE), a empresa deve R$ 381,7 milhões em impostos.
A empresa está registrada em Guarulhos, na Grande São Paulo, e foi um dos alvos da megaoperação deflagrada nessa quinta-feira (28/8) contra um esquema bilionário de fraudes e lavagem de dinheiro do setor de combustíveis que envolve um núcleo do Primeiro Comando da Capital (PCC) e instituições financeiras e fundos de investimentos da Faria Lima.
A Copape está em nome de Renato Steinle de Camargo, mas, segundo os investigadores, pertence a Mohamad Mourad (foto em destaque), que é apontado como “epicentro” das operações fraudulentas com combustíveis — ambos também foram alvos das operações conduzidas pelo Ministério Público de São Paulo (MPSP), Polícia Federal (PF) e Receita Federal.
Na Operação Carbono Oculto, do MPSP e que investiga diversas fraudes em combustíveis e lavagem de dinheiro por meio de fintechs e fundos de investimentos, Renato Camargo é citado como “pessoa interposta para a aquisição da Copape e Aster [distribuidora do grupo]”.
Segundo a investigação, a compra da formuladora Copape e da distribuidora Asper foram fundamentais para Mourad atuar em “toda a cadeia produtiva” do ramo dos combustíveis. Ele controla desde a produção de matéria-prima, por meio de usinas de etanol na região de Catanduva, passando pela formulação, distribuição e comercialização em postos de combustíveis.
Ainda de acordo com a investigação, Mourad tem “vínculos objetivos com pessoas potencialmente vinculadas à organização criminosa do Primeiro Comando da Capital (PCC) e outros grupos criminosos”. Desde julho de 2024, a Copape está suspensa pela Agência Nacional de Petróleo (ANP), com base nas suspeitas levantadas sobre envolvimento com o crime organizado.
Quem é Mohamad Mourad
- Mohamad Mourad se apresenta como dono da G8 Log, uma empresa de transportes, mas que, segundo a investigação, é uma empresa de fachada usada para “ocultar e blindar a frota de veículos e para a lavagem de capitais”.
- A G8 Log não tem frota própria. Os caminhões da empresa estão registradas pela “Blue Star Locação de Equipamentos”, que também é a proprietária de veículos que circulam com a logomarca da Usina Grupo Itajobi, uma usina de etanol que também pertence ao mesmo grupo.
- Outra empresa que possui veículos ligados ao grupo é a “Locar Locadora Ltda”, que teve um primo de Mohamad no quadro societário.
- Segundo a investigação, a rede de Mohamed é extensa e inclui familiares, além de sócios e “profissionais cooptados”.
- Os irmãos e primos de Mohamad são sócios de terminais de armazenamento, postos de combustíveis e usavam diversos fundos de investimento imobiliário “para os propósitos do grupo”.
- Essa não é a primeira vez que Mohamad é alvo de operações do Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado (Gaeco), do MPSP. Em 2023, o grupo deflagrou a Operação Cassiopeia, que também tinha como alvo a Copape e a Aster. Antes, as empresas já haviam sido investigadas na Operação Arina.
Fonte: www.metropoles.com


































