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Polícia resgata “canários gladiadores” em 9 locais usados para rinhas

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A Polícia Civil estourou nove locais, nos quais eram organizadas rinhas entre canários, na manhã desta terça-feira (9/9) na zona sul da capital paulista. Até a publicação desta reportagem, ao menos três suspeitos foram encaminhados para prestar depoimento e mais de cem aves haviam sido resgatadas.

Um Inquérito Policial foi instaurado pela Delegacia de Investigações de Infrações Contra o Meio Ambiente, após um flagrante da Polícia Militar, em 15 de março do ano passado, no qual policiais interromperam uma rinha em andamento, no Jardim São Luís, também na zona sul.

“Na ocasião havia 50 pássaros e acontecia uma rinha, expediente esse que me foi remetido recentemente. Um senhor de 80 anos confidenciou que percorria rinhas, em São Paulo, e comprava ‘canários corridos’, como são chamados os que lutaram, mas perderam. Ele reabilitava as aves e as revendia para quem tinha interesse por brigas”, explicou à reportagem o delegado João Batista Pires Blasi, responsável pela investigação.

Ele acrescentou que, a partir do levantamento feito por sua equipe, foram identificados nove endereços, nos quais são promovidas rinhas entre canários. Nos locais foram cumpridos mandados de busca e apreensão, nesta terça, expedidos pela Justiça.

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O foco da Delegacia do Meio Ambiente são os celulares dos suspeitos, por meio dos quais a polícia pode eventualmente mensurar o tamanho desse tipo de crime na capital paulista.

“Subcultura do submundo”

“Essas rinhas de canários são uma subcultura do submundo [do crime] e, nelas, rolam quantias vultosas de apostas, cujos valores ainda apuramos”, complementou Blasi.

Os canários usados pelos criminosos são comercializados entre R$ 50 e R$ 1000, dependendo da “bravura” e do “ímpeto” da ave para brigar. Assim como em rinhas de cães e galos, ferimentos graves e mortes durante os embates são rotineiros.

Apostadores explicam esquema

Na ocasião em que a PM estourou a rinha de canários, em março do ano passado, alguns apostadores afirmaram, informalmente, pagar R$ 30 para ingressar na “arena” de lutas.

Um deles, identificado como Genivaldo da Silva, explicou que a rinha acontecia “com frequência” e que, naquele local, era a terceira vez em que ia para apostar. Ele estava com quatro aves, que seriam usadas por ele nas brigas.

Outros cinco apostadores também foram abordados e todos confirmaram terem pagado R$ 30 para Godchaux Ettinger Neto, responsável pela organização da rinha.

Na ocasião, os apostadores faziam “testes prévios” com as aves, antes das brigas, quando perceberam a chegada a PM e promoveram um “deus-nos-acuda”, como consta em registros policiais.

Por fim, a polícia interrogou Godchaux, o qual confessou comercializar “canários gladiadores”. Ele acrescentou que os R$ 30, cobrados dos apostadores, eram usados para propiciar “um lanchinho” aos participantes da “diversão funesta”, como pontua a investigação.

Na casa de Godchaux, foi resgatada uma centenas de canários, todos encaminhados para uma entidade de proteção animal. O mesmo destino terão as aves encontradas nesta terça-feira durante a operação.

A defesa dos suspeitos de maus-tratos, mencionados nessa reportagem, não foi localizada. O espaço segue aberto para manifestações.

Fonte: www.metropoles.com