O movimento iniciado por Tarcísio de Freitas (Republicanos) na última semana, quando passou a liderar a articulação pela aprovação de um projeto de anistia aos envolvidos na trama golpista e nos atos de 8 de janeiro de 2023, foi lido por aliados como uma “virada política” do governador de São Paulo.
Segundo um importante aliado de Tarcísio, ouvido sob reserva pelo Metrópoles, o chefe do Palácio dos Bandeirantes ainda era visto por parte do mundo político em Brasília como uma espécie de “Dilma de Bolsonaro”, ou seja, o herdeiro eleitoral de um líder popular, mas de perfil técnico e pouco apto a costuras políticas.
Na avaliação de alguns auxiliares próximos, Tarcísio resistiu durante boa parte do seu mandato às pressões do chamado bolsonarismo raiz para que ele saísse do figurino institucional de governador e aderisse de vez ao “modo político”, com vistas a se cacifar de vez como o candidato do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) para a disputa da Presidência da República em 2026.
Diante disso, Tarcísio viajou a Brasília para atuar diretamente na articulação com lideranças partidárias para viabilizar uma proposta de anistia, função não relacionada a qualquer prerrogativa de governador de estado. A iniciativa motivou um pedido de abertura de impeachment pela oposição na Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp).
Outro caso emblemático foi o último ato bolsonarista na Avenida Paulista, no domingo (7/9), em que, pela primeira vez, Tarcísio fez ataques diretos ao ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), principal algoz do bolsonarismo.
A ausência de uma postura mais enfática de Tarcísio para pressionar o Supremo contra o julgamento da trama golpista, que tem Bolsonaro como réu por tentativa de golpe de Estado, era criticada pela ala mais radical do bolsonarismo, vocalizada pelo deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP).
“Tarcísio foi para tudo ou nada para ser candidato”, afirma um aliado ao Metrópoles. Ele avalia o movimento do governador como uma vacina contra uma possível hesitação do bolsonarismo na hora da campanha eleitoral, a exemplo do que ocorreu com o prefeito Ricardo Nunes (MDB) na eleição municipal em 2024, quando o influenciador Pablo Marçal (PRTB) por pouco não chega ao segundo turno com o apoio de parte considerável do eleitorado de direita.
O papel de Tarcísio no pleito municipal, por outro lado, quando assumiu o protagonismo da campanha de Nunes no pior momento do emedebista, é valorizado por aliados e lido como um sinal de que o governador possui as habilidades necessárias para fazer costuras políticas, embora ainda no “seu terreno”.
Em reservado, aliados de Tarcísio afirmam que o governador ainda está “aprendendo” a fazer o jogo político em Brasília. Emissários na capital federal relatam ainda certa resistência de deputados federais do Centrão quanto à disposição do afilhado político de Bolsonaro em acomodar quadros desses partidos em uma eventual gestão à frente do Planalto.
Fonte: www.metropoles.com


































