“Santosh,” o filme de estreia de Sandhya Suri, foi escolhido para representar o Reino Unido na categoria de Melhor Filme Internacional do Oscar. Apresentado inicialmente na seção Un Certain Regard do Festival de Cannes, o longa chamou atenção ao seguir o sucesso de “The Zone of Interest,” o primeiro filme britânico a conquistar o prêmio este ano.
A trama aborda temas profundos como classe social, religião e misoginia na Índia rural, narrando a jornada de uma viúva que assume o cargo de policial deixado pelo marido falecido. “Santosh” já acumula um histórico notável, incluindo o prêmio Golden Frog para Melhor Direção de Estreia no Camerimage, uma indicação ao European Film Award e duas vitórias no British Independent Film Awards.
No verão, o filme registrou um desempenho sólido nas bilheterias francesas, com mais de 150 mil ingressos vendidos. Mais recentemente, “Santosh” foi incluído na lista de pré-selecionados ao Oscar, reforçando seu apelo internacional, mesmo enfrentando desafios para garantir um distribuidor no Reino Unido.
Encontrar um parceiro de distribuição foi uma tarefa árdua, exigindo um esforço contra o relógio para atender aos prazos do BAFTA. Eventualmente, a Vertigo Releasing e a Civic Studios, da Índia, assumiram a representação do filme. Essa dificuldade ilustra a crise vivida pelo setor de distribuição de filmes independentes no Reino Unido.
O mercado britânico se mostra cada vez mais complicado para obras de arte e produções em língua estrangeira. Entraves como o elevado custo dos ingressos, modelos de exibição menos lucrativos e o declínio nas vendas de DVDs têm levado distribuidores a serem mais cautelosos ao adquirir novos títulos.
Outro fator que complica a situação é o desinteresse de canais de TV paga em adquirir filmes estrangeiros, dificultando ainda mais a distribuição de títulos como “Santosh.” Produções independentes que não contam com grandes nomes ou distribuidoras influentes enfrentam um cenário de crescente dificuldade no Reino Unido.
Enquanto isso, outros países europeus, como França e Alemanha, têm demonstrado maior sucesso com filmes independentes. Em contrapartida, o Reino Unido registrou uma receita de bilheteria de apenas 48 milhões de dólares em 2023, uma queda de quase 50% em relação ao ano anterior.
Distribuidoras tradicionais de filmes de arte, como Curzon e Picturehouse, também enfrentam turbulências financeiras. A venda recente do Curzon para um grupo de private equity e as incertezas que cercam a Picturehouse geram dúvidas sobre o futuro da distribuição no país.
Por outro lado, iniciativas como a criação da Lumiere pela rede Vue, com o objetivo de levar filmes independentes e de baixo orçamento ao público, oferecem uma luz no fim do túnel para o setor.
Apesar das dificuldades enfrentadas, muitos acreditam que o mercado de filmes independentes passará por esta fase desafiadora. A capacidade de contar histórias envolventes e significativas ainda tem o poder de atrair audiências, mesmo em tempos de incerteza.