A Prefeitura de Campinas, no interior de São Paulo, pediu desculpas pelas redes sociais na última sexta-feira (29/8) por um vídeo de teor racista publicado em 2023. A ação faz parte de um acordo com o Ministério Público (MPSP), que prevê uma série de medidas para promover a igualdade racial.
O acordo só foi homologado em agosto de 2025 pelo vídeo publicado em julho de 2023 na página do Instagram da Prefeitura de Campinas. O conteúdo mostrava a importância de câmeras de segurança no combate ao crime usando memes da época como referências. Nas imagens, todas as abordagens eram de pessoas negras.
Na retratação, a gestão municipal pediu desculpas pelo erro e afirmou ter exposto pessoas negras “de maneira vexatória”. “A Prefeitura de Campinas errou, e não foi pouco”, declara a página.
Além da publicação de retratação, o acordo com o MPSP também prevê o investimento de R$ 300 mil em projetos que promovam a igualdade racial, implantação e capacitação de cursos antirracistas aos servidores públicos, atualização do manual municipal de comunicação institucional antirracista e publicação de conteúdos que promovam o debate contra o racismo.
Usuários continuam a questionar a Prefeitura de Campinas pela demora do pedido de desculpas, que só chegou dois anos depois do episódio que foi duramente criticado nas redes, e pela utilização de uma mulher desconhecida nas imagens, que nem ao menos se apresenta ao público.
“Por que o pedido de desculpas não veio do prefeito? Receio de conectar sua imagem a casos como esse? Quem é essa mulher? Não consigo ver verdade e muito menos compromisso do poder público no combate ao racismo”, comenta um usuário.
Como é o acordo
A gestão da cidade assinou um acordo chamado Termo de Ajuste de Conduta (TAC) com o Ministério Público. Ele foi assinado em maio de 2025 e homologado em agosto. Dentre as ações previstas no TAC, a publicação do vídeo é uma delas.
Em nota, a Prefeitura afirma que um manual de comunicação institucional está em elaboração e cursos de capacitação já são oferecidos. “Junto com um grupo de trabalho criado com o MPSP discute-se a elaboração de um cronograma para execução das demais medidas”.
O TAC, segundo a Controladoria-Geral da União (CGU), é um acordo celebrado entre a administração pública federal e um agente público quando há suspeita de que um determinado agente tenha praticado uma infração disciplinar de menor potencial ofensivo, ou seja, uma conduta que seja punível com advtertência ou suspensão de 30 dias.
O prazo para cumprimento das medidas deve ser de no máximo dois anos e é obrigatório que o agente repare o dano causado e se retrate por ele, além de participar de cursos visando “à correta compreensão de seus deveres e proibições ou à melhoria da qualidade do serviço desempenhado”.
Fonte: www.metropoles.com


































