O quarto ato bolsonarista do ano na Avenida Paulista, que ocorre neste domingo (7/9), será o segundo sem o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). Em junho, diante da ausência de seu padrinho político, Tarcísio de Freitas (Republicanos) faltou à manifestação. Agora, o governador de São Paulo assume o protagonismo político do ato, após promessa de indulto a Bolsonaro, caso se torne presidente. e uma articulação nos bastidores pela anistia aos envolvidos na trama golpista, julgada pelo Supremo Tribunal Federal (STF).
Além de Tarcísio, o ato organizado pelo pastor Silas Malafaia também irá contar com a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro (PL-DF), o deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) e o prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes (MDB). Tarcísio ficou responsável por convidar outros governadores de direita, como Ronaldo Caiado (União), de Goiás, e Romeu Zema (Novo), de Minas Gerais. Ratinho Jr. (PSD), do Paraná, não irá à manifestação.
Em junho, o ex-presidente não pôde ir às ruas devido a medidas cautelares impostas contra ele pelo ministro Alexandre de Moraes. A aparição de Bolsonaro nos atos, por meio de chamada telefônica, custou-lhe a decretação de prisão domiciliar. Enquanto isso, Tarcísio estava no Hospital Albert Einstein, na zona oeste de São Paulo, para um procedimento na tireóide. A ausência foi criticada pelo “núcleo duro” bolsonarista, incluindo Malafaia.
Nas últimas semanas, porém, Tarcísio se impôs na articulação sobre a anistia a Jair Bolsonaro. Ele se reuniu com deputados, líderes partidários e fez incursões à Brasília para mobilizar o projeto de lei. Os movimentos do governador de São Paulo reduziram as fricções com o bolsonarismo e Tarcísio foi incentivado publicamente até pelo filho “03” do ex-presidente, o deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP), desafeto do govenador, cujas críticas a Tarcísio ficaram evidentes no relatório da Polícia Federal (PF) que divulgou as mensagens trocadas entre Eduardo e Jair Bolsonaro.
O governador de São Paulo vem “equilibrando os pratos” entre o Centrão e o bolsonarismo. Uma imagem de político de centro é mais palatável ao mercado financeiro e setores importantes para o futuro político de Tarcísio. Em julho, ele foi criticado por economistas da Faria Lima por não ter conseguido manter esse equilíbrio após o anúncio do presidente americano Donald Trump de taxar em 50% os produtos brasileiros importados pelos Estados Unidos.
Passado o auge da crise do tarifaço, em um movimento calculado baseado em pesquisas internas, Tarcísio preferiu agradar o público bolsonarista em meio ao julgamento de Jair Bolsonaro no STF, que começou na semana passada e deve ser finalizado até sexta-feira (12/9). A postura é uma mudança de rumo.
Antes, o entorno do governador apontava para a estratégia de concentrar as relações com o Centrão, já que em uma eventual disputa contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) na corrida presidencial, os votos bolsonaristas migrariam automaticamente para Tarcísio. Agora, o aceno a Bolsonaro é justificado pelo tempo de um ano até a eleição, período que permitiria, se necessário, uma correção de rota.
Munição para o PT
Se por um lado, os acenos de Tarcísio reduziram o conflito com o bolsonarismo, por outro, deram munição à artilharia petista. Pessoas próximas ao presidente Lula avaliam que os movimentos do governador de São Paulo permitem reeditar a campanha vitoriosa de 2022, com o discurso de defesa da democracia – e, após o tarifaço – da soberania nacional.
Tarcísio disse na semana passada, em entrevista a um jornal do ABC Paulista que, caso se torne presidente, irá conceder indulto ao ex-presidente Jair Bolsonaro no primeiro ato como chefe do Planalto. As movimentações viraram alvo de ministros de Lula.
No X, a ministra Gleisi Hoffmann (Secretaria de Relações Institucionais) publicou que “ao anunciar que seu primeiro ato se fosse presidente seria indultar Bolsonaro, Tarcísio confirma que seu chefe é culpado e que eles não respeitam o estado de direito nem a Justiça”. O ministro Luiz Marinho (Trabalho) disse para o governador “tomar tenência” e cuidar da segurança pública do Estado.
O ministro Paulo Teixeira (Desenvolvimento Agrário) comparou uma reunião de Tarcísio com o senador Ciro Nogueira (PP-PI) ao lobby feito por Eduardo Bolsonaro para taxar produtos brasileiros em retaliação ao julgamento de seu pai por tentativa de golpe no STF. E Fernando Haddad, da Fazenda, foi ao programa de TV de José Luiz Datena declarar que, com os atos das últimas semanas, Tarcísio “rasgou a fantasia” de pessoa de centro.
O governador @tarcisiogdf , ao invés de resolver o caos criado pelo seu governo na estação Barra Funda ou reduzir os preços dos pedágios, está articulando com Ciro Nogueira uma anistia para os golpistas. É mais uma ação, que se soma a sabotagem externa de @BolsonaroSP , contra a…
— Paulo Teixeira (@pauloteixeira13) September 3, 2025
No domingo (7/9) pela manhã, antes do ato bolsonarista na Paulista, lideranças da esquerda marcaram uma manifestação na Praça da República, no centro de São Paulo. Alguns ministros, como Luiz Marinho (Trabalho) e Alexandre Padilha (Saúde), já confirmaram presença, enquanto outros auxiliares de Lula vão acompanhá-lo no desfile cívico de 7 de setembro, em Brasília.
Atos bolsonarista na Paulista em 2025
- 6/4 – Ato reuniu 45 mil pessoas na capital paulista, segundo o “monitor do debate político” do Centro Brasileiro de Análise e Planejamento (Cebrap) da Universidade de São Paulo (USP).
- 29/6 – Ato reuniu 12 mil pessoas, segundo o Cebrap da USP.
- 3/8 – Ato reuniu 37,6 mil pessoas, segundo o Cebrap da USP.
Fonte: www.metropoles.com
































