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Audiência sobre túnel Sena Madureira tem tumulto e suspeita de claque

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Uma audiência pública para discutir a construção do túnel Sena Madureira, na Vila Mariana, zona sul de São Paulo, acabou com tumulto e empurrões na noite dessa quinta-feira (4/9). Moradores da região contrários a obra afirmam que um grupo formado por pessoas de outros bairros foi enviado ao local para defender o túnel e tumultuar o evento. Segundo eles, os militantes teriam sido recrutados por políticos aliados ao projeto do prefeito Ricardo Nunes (MDB).

A audiência aconteceu no Instituto de Engenharia. O local não comportou o número de presentes e uma confusão começou quando moradores contrários ao projeto não conseguiram entrar no auditório.

A assistente jurídica Ana Clara Costa, de 34 anos, diz que o auditório foi tomado pelo grupo que se dizia a favor da construção e que chegou em um ônibus fretado. “Foi revoltante. Em questão de minutos, aquelas pessoas lotaram o auditório e as pessoas diretamente afetadas pelo túnel não puderam participar”, afirma.

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Segundo ela, muitos dos ativistas a favor do túnel não sabiam explicar, no entanto, qual era o tema que estava sendo debatido na audiência. “Eu ouvi gente falando que achou que ia ser construída uma ponte no Ibirapuera e que a discussão era sobre isso”.

Um vídeo obtido pela reportagem do Metrópoles mostra uma pessoa supostamente favorável à construção do túnel dizendo que trabalha para Aurélio Nomura, ex-vereador filiado ao PSD. Na cena, ao ser confrontado por moradores contrários à obra, ele confirma que mora no Jabaquara, na região do Parque Bristol, e diz que seus “candidatos” estavam todos ali, citando nomes como “Teixeira” e George Hato (MDB).

Em outro vídeo, uma mulher diz que foi chamada para participar da audiência com a informação de que seria discutido ali um projeto de uma ponte no Ibirapuera. Ela afirma que mora em uma favela no Jabaquara e não teria ido à audiência se soubesse o real motivo do evento. Assista:

Outra imagem mostra um grupo de pessoas entrando em um ônibus fretado após a audiência.

Em nota ao Metrópoles, Aurélio Nomura negou ter enviado um ônibus fretado com moradores de outras comunidades para o local e disse que as falas são “absolutamente inverídicas, caluniosas e desprovidas de qualquer fundamento”. Ele também nega que um ativista que trabalha para ele teria sido enviado à audiência.

Na nota, o político diz ainda que a obra do túnel impacta outros bairros para além da Vila Mariana e que é legítima a participação de pessoas de outros locais. “Trata-se de uma obra de impacto metropolitano que influencia diretamente a mobilidade e o fluxo de veículos de toda a zona oeste, sendo um ponto de passagem estratégico para acessar importantes regiões da cidade, como o Ipiranga, Sacomã e outras adjacências”.

Por fim, Nomura diz que tomará “todas as providências legais cabíveis para a devida responsabilização do denunciante e de quaisquer indivíduos ou grupos que estejam envolvidos na fabricação e disseminação dessas inverdades”.

A assessoria do vereador George Hato (MDB) negou ter enviado militantes ao evento. Procurado, o vereador Ricardo Teixeira (União) também negou relação com o caso e disse que sua militância atua na zona leste.

Túnel Sena Madureira

Em março deste ano, a Prefeitura de São Paulo anunciou a rescisão unilateral do contrato com o Consórcio Expresso Sena Madureira para a construção do túnel de interligação da Rua Sena Madureira com a Avenida Ricardo Jafet. A decisão atendeu uma recomendação do Ministério Público de São Paulo (MPSP).

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Buraco na Rua Sena Madureira, na Vila Mariana, na zona sul de São Paulo

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Obras na Rua Sena Madureira, na Vila Mariana, em São Paulo

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Obras na Rua Sena Madureira, na Vila Mariana, em São Paulo

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Termômetro marca 35°C em dia de verão na Rua Sena Madureira, na Vila Mariana, em São Paulo

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Buraco na Rua Sena Madureira, na Vila Mariana, na zona sul de São Paulo

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Buraco na Rua Sena Madureira, na Vila Mariana, em São Paulo

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Obras na Rua Sena Madureira, na Vila Mariana, em São Paulo

William Cardoso/Metrópoles

Devido ao dano ambiental, a intervenção é alvo de protestos de ativistas, que levaram à paralisação das obras. A medida prevê a derrubada de 172 árvores, das quais 78 são nativas e 94 exóticas.

Investigação: obras no túnel

  • Inicialmente, a construção da prefeitura era tocada pela Álya Construtora, antiga Queiroz Galvão, e já é alvo de três inquéritos no MPSP. O projeto estabelece também a remoção de dezenas de famílias da comunidade da Rua Souza Ramos.
  • No pedido de paralisação das obras feito pelo Ministério Público, foram apresentadas 38 considerações, sendo a maioria sobre os danos ao meio ambiente que as obras podem causar.
  • O MPSP usa como base em um dos trechos o dado de que a Subprefeitura da Vila Mariana possui apenas 22,69% de área com cobertura vegetal, de acordo com o Mapeamento Digital da Cobertura Vegetal do Município de São Paulo do ano 2020.
  • Contratada originalmente em 2011, a obra foi suspensa, em 2013, no âmbito da Operação Lava Jato, após as empreiteiras contratadas pela prefeitura terem sido pegas em esquemas de corrupção.
  • Segundo o MPSP, a retomada das obras do Complexo Viário Sena Madureira ocorreu de forma abrupta e repentina, o que levanta a existência de riscos envolvendo a população imediatamente afetada.

Famílias desalojadas

Aproximadamente 200 famílias moram nas comunidades Souza Ramos e Luiz Alves. O MPSP considera que “essas pessoas terão que deixar o local para a concretização das obras e serem realocadas em outro não se sabendo ao certo onde, e a que título, desrespeitando assim a Constituição Federal, que a assegura o direito à moradia digna”.

O texto ainda menciona a inexistência de informações sobre se e como as benfeitorias dessas famílias serão indenizadas, bem como se outros imóveis terão de ser desapropriados.

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De acordo com a promotoria, as obras realizadas já provocam danos estruturais nas moradias situadas nas imediações do empreendimento. Como revelado pelo Metrópoles, o muro de duas casas desabou, no fim do ano passado, durante a retomada das obras do túnel da Rua Sena Madureira. Com a parede de blocos, o aterro desmoronou e soterrou parte dos quintais de moradores da comunidade Luiz Alves.

Ainda é considerada a informação de que não houve participação efetiva da população na formulação e/ou reformulação do projeto. No entanto, para a prefeitura, a intervenção tem o objetivo de oferecer mais fluidez do trânsito por meio da interligação entre os bairros Vila Mariana, Ipiranga, Itaim Bibi e Morumbi.

Fonte: www.metropoles.com