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Como funcionários de aeroporto driblam segurança para furtar cargas

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A segurança do Terminal de Cargas do Aeroporto Internacional de São Paulo, em Guarulhos, na região metropolitana, tem sido sistematicamente burlada por criminosos que demonstram ter acesso privilegiado à logística interna, realizando furtos que, como revelado pelo Metrópoles, somam milhões em prejuízo.

Nos últimos meses, a Polícia Civil registrou uma série de ocorrências em que a forma de agir dos criminosos sugere uma quadrilha atuando com precisão, utilizando desde documentos falsos até equipamentos de movimentação de carga para subtrair mercadorias internacionais de alto valor, diretamente das dependências do maior e mais movimentado aeroporto do país.

O bando, que a polícia acredita ter entre seus integrantes funcionários terceirizados do aeroporto, é monitorado desde maio por uma equipe do Departamento Estadual de Investigações Criminais (Deic) de São Paulo.

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As diligências resultaram na prisão de três homens apontados como integrantes da quadrilha, na última quinta-feira (25/9), na qual também foram cumpridos oito mandados de busca e apreensão, no âmbito da Operação Check-In.

Durante um furto em 23 de junho deste ano, a ação dos criminosos foi registrada por uma câmera de monitoramento (assista abaixo). Na ocasião, foram levadas telas de celular, cujo valor foi estimado em R$ 1 milhão, de acordo com a Polícia Civil.

Funcionários envolvidos

Um elo constante na maioria dos casos é a suspeita de facilitação interna que indica a participação de funcionários do aeroporto. No furto de uma carga de brinquedos, por exemplo, o condutor da empilhadeira responsável por mover os pallets até o veículo de fuga era, de fato, funcionário da GruAirport, como indicado em documentos policiais.

Em boletins de ocorrência obtidos pelo Metrópoles, incluindo aqueles que investigam a subtração de eletrônicos, joias e artigos de luxo, o representante da concessionária do aeroporto internacional relatou que as sindicâncias internas apontam para furtos cometidos com abuso de confiança ou mediante fraude — o que indica a participação de funcionários como fator crucial para o sucesso dos crimes.

Os furtos só foram descobertos quando as mercadorias não foram encontradas nos locais de armazenamento indicados pelo sistema de movimentação de carga.

Carga de R$ 16 milhões

O caso que mais chamou a atenção da polícia pela magnitude do valor subtraído foi o furto de medicamentos de alto custo, em 3 de julho. A carga, da marca Boehringer Ingelheim, consistia em medicamentos para o tratamento de câncer no pulmão, avaliada em R$ 16.170.640,90.

Além dessa cifra altíssima, 2025 tem registrado furtos contínuos de itens eletrônicos, joias e artigos de luxo, o que, para a polícia, pode indicar atuação do crime organizado nos terminais de cargas.

De acordo com as investigações, a maneira como os criminosos conseguem retirar os bens do aeroporto aponta para um esquema de fraude interna extremamente eficaz.

No furto da carga farmacêutica de R$ 16 milhões, por exemplo, o crime foi concretizado por meio da utilização de uma caminhonete branca. Um suspeito, identificado como Henrique Alberto Soares, apresentou um recibo de retirada de carga, supostamente falso, para conseguir que os dois volumes de medicamentos fossem liberados e carregados no veículo, deixando o terminal de cargas com destino ignorado.

Em outro registro, do último dia 4, mais um método de subtração foi flagrado por câmeras de segurança. Na ocasião, foi detectado o desaparecimento de uma carga de brinquedos para pets às 22h27. As imagens revelaram que uma empilhadeira pegou os dois pallets da carga e os levou até as docas, onde o material foi transferido também para uma caminhonete branca.

A cronologia dos furtos demonstra que o problema é recorrente e diversificado. Além do golpe milionário de 3 de julho, os bandidos levaram processadores e placas de vídeo, em 8 de maio. Mais recentemente, entre os dias 3 e 5 deste mês, foram registrados furtos de uma série de artigos de luxo, como brincos e braceletes da marca Bottega, bem como bolsas e sapatos da marca Gucci.

O que dizem a GruAirport e a polícia

A GruAirport, que administra o aeroporto de Guarulhos, foi questionada sobre o prejuízo milionário atribuído à ação da quadrilha. Em nota, não comentou sobre os casos mencionados pelo Metrópoles, afirmando repudiar “qualquer prática criminosa” e colaborar com a polícia.

A concessionária acrescentou que nenhum dos três presos na ação do Deic de quinta-feira era funcionário da empresa.

A Secretaria da Segurança Pública (SSP), por sua vez, afirmou que o Deic investiga as ações da quadrilha desde maio, acrescentando que a GruAirport colabora com o fornecimento de informações necessárias “para o esclarecimento dos fatos”.

Entre janeiro e julho deste ano, data da mais recente atualização estatística da SSP, a delegacia do aeroporto registrou 897 furtos em geral,  o que representa quatro casos diários. Comparando com as 663 ocorrências do ano passado, houve aumento de 35% nesse tipo de crime.

Fonte: www.metropoles.com