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Ex-delegado morto: suspeita presa recebeu Pix em nome de criança

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O suspeito Luiz Antonio Rodrigues de Miranda, apontado como fornecedor de parte dos fuzis usados para executar o ex-delegado-geral Ruy Ferraz Fontes na segunda-feira (15/9) em Praia Grande, no litoral paulista, foi identificado por meio da chave Pix que usou para pagar o traslado da arma para Dahesly Oliveira Pires, única presa pelo crime até o momento. Luiz Antonio, que teve a prisão decretada e estava foragido até a publicação desta reportagem, fez um Pix para Dahesly a partir de uma conta com o nome do filho de 10 anos,

Dahesly foi presa na madrugada desta quinta-feira (18/9) em Diadema, cidade da Grande São Paulo onde reside. Segundo trecho de documento judicial obtido pela reportagem, policiais civis que a encontraram conseguiram flagrá-la tentando “dispensar” um aparelho celular.

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Ruy Ferraz Fontes, ex-delegado-geral da Polícia Civil de SP

Divulgação/Polícia Civil de SP2 de 9

Vídeo mostra dinâmica de atentado que matou o ex-delegado-geral de SP, Ruy Ferraz Fontes

Reprodução/ vídeo cedido ao Metrópoles3 de 9

Delegado Ruy Ferraz Fontes

Divulgação/Alesp4 de 9

O ex-delegado-geral da Polícia Civil de São Paulo, Ruy Ferraz Fontes, foi executado por criminosos em Praia Grande, litoral de São Paulo

Reprodução/Redes Sociais5 de 9

Ruy Ferraz Fontes, ex-delegado da Polícia Civil de São Paulo

Divulgação/Alesp6 de 9

Ruy Ferraz Fontes, ex-delegado da Polícia Civil de São Paulo

Divulgação/Prefeitura de Praia Grande7 de 9

Ruy Ferraz Fontes, ex-delegado da Polícia Civil de São Paulo

Divulgação/Alesp8 de 9

Ruy Ferraz Fontes, ex-delegado da Polícia Civil de São Paulo

Reprodução/Prefeitura de Praia Grande9 de 9

Ruy Ferraz Fontes, ex-delegado da Polícia Civil de São Paulo

Divulgação/Polícia Civil

Após ser contida e se acalmar, Dahesly admitiu informalmente ter ido a Praia Grande para pegar o armamento usado no crime e transportá-lo, de Uber, até Diadema. Ela também confirmou ter recebido uma quantia por esse serviço — o valor não foi especificado —, com pagamento efetuado por transferência via Pix.

Conta em nome de criança

Os policiais descobriram que a transferência era proveniente de uma conta em nome de um garoto de 10 anos, filho de Luiz Antonio Rodrigues de Miranda. Dahesly confirmou a identidade de Luiz ao reconhecê-lo em uma foto como a pessoa que havia pedido para transportar o armamento do litoral até Diadema.

A indiciada revelou, ainda, que Luiz Antonio esteve em sua casa na noite de quarta-feira (17/9) e retirou armas que estavam no local. Por essa razão, alegou a mulher, a polícia não localizaria nenhum fuzil durante as buscas na residência.

Luiz Antonio é considerado figura central na investigação sobre o assassinato do ex-delegado-geral. Policiais fizeram buscas em sua casa, em Cidade Ademar, zona sul paulistana, mas nada foi encontrado.

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Contudo, moradores da região afirmaram em sigilo aos investigadores terem avistado o vizinho em data anterior com um veículo Hilux, escuro, estacionado na garagem de casa.

Isso levantou a suspeita de que poderia ser o mesmo veículo utilizado na emboscada contra Ruy Ferraz Fontes. Criminosos que o atacaram estavam em uma Hilux preta, posteriormente encontrada carbonizada.

A prisão de Luiz é considerada fundamental para a investigação, pelo fato de as armas ainda não terem sido localizadas — a princípio, a suspeita é que estariam com ele. Sua prisão foi decretada pelo juiz Felipe Mateo.

Cientes da rotina da vítima

Os assassinos do ex delegado-geral conheciam a rotina da vítima. Isso fica demonstrado em um vídeo de uma câmera de monitoramento, instalada na Rua Arnaldo Vitulli, na qual os criminosos chegam com a Hilux preta, às 18h02. O veículo fica estacionado, com as luzes apagadas, até as 18h16, momento em que o Fiat Argo de Ruy Ferraz desponta no início da via.

Os faróis do carro dos criminosos são então ligados e, no instante em que o veículo do ex delegado-geral os ultrapassa, os ocupantes da Hilux passam a atirar ininterruptamente.

Outra câmera, instalada na mesma rua de outro ângulo, mostra que o vidro do lado do motorista, onde Ruy estava, é estilhaçado por um dos disparos, no momento em que a vítima faz a curva na Rua 1º de Janeiro.

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Nesse instante, iniciou-se uma perseguição até a Avenida Doutor Roberto de Almeida Vinhas, na qual o carro de Ruy Ferraz colidiu contra dois ônibus e capotou.

Durante a perseguição, os criminosos atiraram várias vezes contra ele, atingindo acidentalmente duas pessoas que estavam em frente à casa de familiares.

As duas vítimas, feridas sem gravidade, foram encaminhadas ao Hospital Irmão Dulce. Ambos foram submetidos a exames residuográficos, como consta em documento policial obtido pela reportagem.

Executado diante de dezenas de testemunhas

Com o carro de Ruy Ferraz tombado, três atiradores desembarcaram da Hilux e executaram o ex-delegado diante de dezenas de testemunhas. Em nenhum instante o policial aposentado conseguiu usar sua pistola Glock 9 milímetros, que permaneceu dentro de uma bolsa. Ele morreu no local.

Após o crime, os assassinos embarcaram na Hilux e fugiram em alta velocidade. Todos usavam coletes balísticos, encobriam os rostos com capuzes, portavam armas longas e agiram de forma tática e organizada. O carro foi localizado, em chamas, abandonado na Avenida Casemiro Domcev, a quase dois quilômetros de distância do local da execução. Dentro dele, uma arma teria sido abandonada.

Registros da Polícia Civil indicam que os assassinos então teriam usado um Jeep Renegade furtado para seguir fugindo. O carro foi localizado, com o motor ainda ligado, na Rua Gilberto Lopes, a 800 metros de distância onde a Hilux foi incendiada.

O documento policial destaca que, após abandonar o Renegade, os criminosos seguiram a fuga a pé, por uma passarela. Perto do veículo, foi localizado um carregador de fuzil, outro de pistola, além de cápsulas deflagradas.

Além de Luiz Antonio, outros dois suspeitos já foram identificados, segundo o secretário da Segurança Pública, Guilherme Derrite. São eles: Flávio Henrique Ferreira de Souza, de 24 anos, e Felipe Avelino da Silva, de 33, conhecido no Primeiro Comando da Capital (PCC) como “Mascherano”. Até a publicação desta reportagem, com exceção de Dahesly, ninguém havia sido preso.

Jurado de morte por Marcola

Ruy Ferraz Fontes, de 64 anos, atuou por 40 anos na Polícia Civil e era especialista em Primeiro Comando da Capital (PCC). Durante a vida profissional, ficou conhecido pelo enfrentamento à facção, que o considerava como um dos seus maiores inimigos.

Ele foi jurado de morte por Marco William Herbas Camacho, o Marcola, apontado como líder máximo da facção, em 2019, após o criminoso ser transferido para o sistema penitenciário federal.

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Ruy Ferraz Fontes, ex-delegado da Polícia Civil de São Paulo

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Ruy Ferraz Fontes, ex-delegado da Polícia Civil de São Paulo

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Ruy Ferraz Fontes, ex-delegado da Polícia Civil de São Paulo

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Ruy Ferraz Fontes, ex-delegado da Polícia Civil de São Paulo

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Ruy Ferraz Fontes, ex-delegado da Polícia Civil de São Paulo

Divulgação/Polícia Civil

“Um dos melhores delegados-gerais que conheci, Ruy foi executado covardemente hoje por criminosos, após uma trajetória marcada pelo combate firme e incessante ao PCC, impondo enormes prejuízos ao crime organizado”, destacou Raquel Kobashi Gallinati Lombardi, diretora da Academia dos Delegados de Polícia do Brasil (Adepol do Brasil).

Ruy Ferraz assumiu a Secretaria de Administração de Praia Grande em janeiro de 2023, permanecendo na gestão que se iniciou em 2025, até ser morto nessa segunda-feira.

O corpo do ex-delegado-geral foi velado nesta terça-feira (16/9) na Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp). O sepultamento ocorreu durante a tarde, no Cemitério da Paz, no Morumbi, na zona sul da capital paulista.

Fonte: www.metropoles.com