A banda de punk-rock Garotos Podres diz ter sido alvo de um inquérito policial no final de novembro deste ano, por causa de uma denúncia contra a música “Papai Noel, Velho Batuta”, lançada em 1985, final da ditadura militar.
A informação foi publicada pela própria banda nas redes sociais. Na publicação, o grupo, formado em Mauá, na Grande São Paulo, afirmou que a denúncia partiu de um membro da extrema direita, sem expor o nome.
Além disso, a banda afirma que o denunciante alega que a letra da música incentiva a violência em pessoas, “ao falar de sequestro e morte” de “uma figura lendária, que representa uma cultura mundial cristã”.
O refrão da composição, principal sucesso da banda, diz: “Papai Noel, velho batuta/ Rejeita os miseráveis/ Eu quero matá-lo/ Aquele porco capitalista/ Presenteia os ricos/ (Cospem nos pobres)/ Presenteia os ricos/ (Cospem nos pobres)”
Os Garotos Podres ainda dizem na publicação que o objetivo do denunciante era impedir a apresentação da banda. Por causa disso, os integrantes foram submetidos a um interrogatório.
O grupo alega estar sendo vítima de censura e citou que nem na época do lançamento da música, em 1985, no final da Ditadura Militar, foi submetido a interrogatórios por parte do Departamento de Censura do estado na época.
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Ainda de acordo com o post da banda nas redes sociais, o baterista – membro mais jovem da formação da banda e que não era nascido no lançamento de Papai Noel, Velho Batuta – passou a ter pesadelos recorrentes após o interrogatório, onde sonhava que era interrogado “‘sob tortura’, acusado de ter sequestrado o Papai Noel”.
O grupo obteve o apoio de algumas entidades, como o Partido dos Trabalhadores (PT) de São Bernardo do Campo, que manifestou solidariedade à banda e definiu a situação como “mais um episódio que evidencia a persistência de práticas autoritárias no Brasil, agora travestidas de perseguição moral, religiosa e política”.
O grupo também repudiou “qualquer tentativa de silenciar a arte, a cultura e a liberdade de expressão, princípios fundamentais de uma sociedade verdadeiramente democrática”.
Fonte: www.metropoles.com


































