A influencer Cinthya Marques, esposa do bilionário João Adibe, gravou em agosto um vídeo mostrando as obras de proporções faraônicas na mansão do casal que provocou revolta na vizinhança dos Jardins, um dos bairros mais caros de São Paulo. A Justiça embargou a obra este mês e vetou a concessão de Habite-se para o imóvel.
A defesa de Adibe afirma que a obra foi autorizada por todos os órgãos competentes e já foi concluída há meses. Adibe é presidente da farmacêutica Cimed e 86° homem mais rico do país, com patrimônio estimado pela Revista Forbes em R$ 5,6 bilhões.
Assista:
No vídeo, publicado em seu perfil com quase 300 mil seguidores em uma rede social, Cinthya conta detalhes da mansão da família, como a piscina inspirada em Gianni Versace e o lavabo pensado para homenagear Paris.
“Quando eu assisti o documentário do Gianni Versace, eu tinha certeza de uma coisa, que a próxima piscina da minha casa ia ser inspirada nele. Eu acho que o Gianni Versace ia ficar orgulhoso de mim, hein?”, disse a influencer.
Além disso, a mulher conta bastidores da obra e revela alguns materiais usados na construção, como os 43 modelos de pedra, sendo “as mais bonitas” as nacionais, e o uso de pastilhas feitas à mão.
Na época em que a gravação foi feita, a obra estava em fase de finalização, segundo Cinthya. Mais recentemente, no final de novembro, ela postou outro vídeo questionando se a casa ficaria pronta neste ano.
Banqueiro encaminhou vídeo ao Condephaat
As imagens feitas pela influencer foram encaminhadas ao Condephaat (órgão estadual de patrimônio histórico) pelo banqueiro André Schwartz, CEO do banco Genial e vizinho da obra.
O vídeo foi considerado um “deboche” em meio às ordens de embargo do próprio Condephaat e da Subprefeitura de Pinheiros, que já tinham sido determinadas na época.
O banqueiro Schwartz é citado em ação civil pública movida pela Associação dos Moradores dos Jardins (AME Jardins) contra a obra.
A entidade alega que a obra foi aprovada como uma simples reforma, mas resultou na demolição quase total da construção original — um imponente casarão que teria tido apenas a fachada preservada.
Um laudo técnico anexado à ação aponta que a demolição quase integral do imóvel vizinho, somada a serviços de terraplenagem pesada e uso de equipamentos de grande porte, teria provocado danos à residência de Schwartz.
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Trabalhadores em obra de mansão de João Adibe, em imagem anexada ao processo
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Imagem da obra da mansão de João Adibe anexada ao processo
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Imagem aérea de obra de mansão anexada ao processo
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Imóvel de João Adibe visto de fora, em imagem anexada ao processo
Reprodução
O documento aponta o surgimento de trincas e fissuras nas paredes da casa, além de prejuízos ao uso regular do imóvel, que fica ao lado da mansão.
O Jardim Paulista, onde fica o lote, é um bairro estritamente residencial e submetido a rígidas restrições urbanísticas. Segundo a AME Jardins, a construção de Adibe desrespeita regras de tombamento dos Jardins ao extrapolar alturas máximas, descumprir recuos obrigatórios e realizar intervenções não previstas no projeto aprovado, como a construção de um segundo pavimento em uma edícula.
A entidade ainda denunciou a supressão da vegetação do lote, com pavimentação que compromete a permeabilidade do solo, além de danos como infiltrações, redução de insolação e invasão de privacidade do imóvel vizinho.
Juíza dá razão a associação
No último dia 19, a juíza Mariana Medeiros Lenz, da 9ª Vara da Fazenda Pública, determinou uma série de ordens cautelares, entre elas a que determina a paralisação imediata da obra ou serviços no local.
A decisão cita penalizações administrativas anteriores, além da constatação de “desvirtuamento do Alvará de Execução” pelo Condephaat. A juíza também afirma que a fiscalização foi cerceada, mas foi possível ver a partir de um imóvel vizinho que a “edícula avançou sobre o recuo obrigatório e atingiu altura superior ao limite permitido”.
“O perigo de dano é evidente, dado o caráter irreversível das intervenções em patrimônio ambiental e urbanístico tombado. A continuidade das obras ao arrepio das ordens administrativas de embargo evidencia o risco de consolidação de uma situação fática ilegal, prejudicando a fruição do patrimônio cultural e ambiental pela coletividade e causando danos por impermeabilização do solo e supressão de vegetação protegida”, diz a magistrada.
Além da paralisação da obra, a juíza determinou uma multa diária de R$ 50 mil em caso de desobediência, estabelecendo valor máximo de R$ 5 milhões. Também concedeu autorização aos servidores do Condephaat para entrar no imóvel e realizar vistoria completa para “apuração das irregularidades”.
A decisão ainda vetou a concessão de “Habite-se” ou certificado de conclusão da obra pela prefeitura e ordenou a averbação da existência da ação na matrícula do imóvel no cartório.
Decisão judicial determina embargo da obra na casa de João Adibe
O que diz o dono da mansão
Os advogados de João Adibe, Daniel Bialski e Fabio Kadi, afirmaram que “a obra da casa foi autorizada por todos os órgãos competentes e já foi concluída há meses, portanto, não procede qualquer imputação de embargo”.
“O imóvel inclusive possui o Habite-se, o que comprova a inidoneidade das alegações apresentadas. Aliás, a família reside no local há tempos”, acrescenta o comunicado.
A nota afirma ainda que, em ação anterior, há um laudo elaborado por perito judicial que descartou qualquer responsabilidade de João Adibe sobre os problemas relatados pelo vizinhos. “O documento atesta, ainda, que os danos relatados são oriundos de má conservação daquele”.
De acordo com o comunicado, uma ação sobre o mesmo caso movida pelo vizinho teve todas as cautelares indeferidas pela Justiça.
Fonte: www.metropoles.com

































