O Ministério Público de São Paulo (MPSP) manifestou ser contra o acesso de uma empresa de segurança ao processo no qual consta a investigação sobre a morte do empresário Adalberto Amarílio dos Santos Júnior, cujo homicídio segue sem solução até o momento. A vítima foi achada morta na região do Autódromo de Interlagos, na zona sul de São Paulo.
Em sua manifestação, publicada nesta segunda-feira (1º/9), a promotora de Justiça Maria Carolina Viegas usa como justificativa — para barrar o acesso — a “ausência de interesse e legitimidade” da Esc Fonseccas Segurança “para atuar na presente investigação”.
O caso completou três meses no último dia 30, considerando a data na qual Adalberto foi visto pela última vez com vida, quando participava de um evento de motocicletas no Autódromo de Interlagos, na zona sul paulistana.
O corpo dele foi localizado dentro de um buraco, em 3 de junho, em uma área de obras do kartódromo de Interlagos. A circunstância da morte, assim como a autoria, ainda é apurada.
A principal linha de investigação do Departamento de Homicídios e de Proteção à Pessoa (DHPP) é a de que seguranças do evento estejam supostamente envolvidos no assassinato.
O pedido negado
A segurança do evento Festival Duas Rodas foi feita por três empresas, entre as quais a Esc Fonseccas, que solicitou, por meio de seus advogados, acesso ao processo do caso, no qual consta o inquérito policial.
O pedido foi feito em 12 de agosto por Renato Gazola e Felipe Teixeira. A solicitação foi encaminhada pela juíza Patrícia Álvares Cruz ao MPSP, que negou o acesso aos autos.
Como o Metrópoles já mostrou, funcionários da Esc, entre os quais coordenadores e supervisores de segurança, prestaram depoimento no DHPP, quando detalharam a distribuição da escala dos vigilantes.
Eles também falaram sobre a suposta ausência de intercorrências significativas no decorrer dos turnos.
Cronologia do desaparecimento
- Adalberto não voltou para casa após ter passado o dia com um amigo em um evento de motocicletas no Autódromo de Interlagos. Em depoimento à polícia, o amigo descreveu como foi o dia em que o empresário desapareceu.
- Amigos há cerca de oito anos, de acordo com o relato, os dois mantinham o mesmo interesse por motocicletas e participavam de um grupo de WhatsApp, chamado “Renatinha Motoqueirinha”, no qual organizavam passeios e conversavam diariamente.
- Adalberto e o amigo participaram de test drives de motocicletas, das 14h30 às 17h. Em seguida, foram tomar um café em um dos quiosques e passear pelo evento. O empresário, então, teria sugerido que os dois tomassem uma cerveja.
- Às 17h15, compareceram a uma ativação de motocross dentro do evento e, às 19h45, foram assistir ao show do cantor Matuê. Durante a apresentação, Adalberto e o amigo teriam usado maconha. A substância foi adquirida de estranhos, no local, pelo próprio empresário. Eles beberam cerca de oito cervejas.
- Ainda segundo o depoimento, Adalberto estava alcoolizado e alterado – a combinação da maconha com a cerveja o deixou “mais agitado que o normal”. Não houve brigas, desentendimentos ou qualquer outra situação que pudesse trazer problemas, contou o amigo.
- O show acabou às 21h e os dois se despediram às 21h15. Adalberto alegou que precisava ir embora para jantar com a esposa. O amigo permaneceu no evento, comeu um hambúrguer e tomou refrigerante. Ele disse que deixou o Autódromo de Interlagos às 22h30, cheg0u em casa às 23h e adormeceu.
- Por volta das 2h de sábado (31/5), recebeu uma mensagem da esposa do empresário, perguntando sobre o paradeiro do marido.
- No dia seguinte ao desaparecimento de Adalberto, domingo (1º/6), o amigo que prestou depoimento teve uma motocicleta roubada. Ele contou que foi abordado por quatro indivíduos armados, que estavam em duas motos. O celular e o capacete dele também foram levados.
Corpo encontrado em buraco
O corpo de Adalberto foi encontrado no dia 3 de junho, na Avenida Jacinto Júlio dentro de um buraco de 2 metros de profundidade e 40 centímetros de diâmetro, por um dos funcionários de uma construção que ocorria no local. Inicialmente, o trabalhador acreditou se tratar de um boneco, já que só conseguia ver o capacete do empresário, mas acionou as autoridades mesmo assim.
Um inquérito foi instaurado pelo DHPP, que investiga o caso como homicídio. De acordo com a diretora do departamento, Ivalda Aleixo, o cadáver não tinha lesões aparentes, vestígios de sangue, ferimentos ou fraturas.
O empresário estava no buraco, dentro de um vão de uma obra, com um capacete “colocado” na cabeça e as mãos para cima, trajando nada além de jaqueta e cueca. Havia ainda terra no rosto e mãos do cadáver.
Veja:
A diretora do DHPP acredita que Adalberto foi colocado no buraco já morto ou desacordado, pois, segundo ela, não havia sinais de que o empresário tenha reagido ou tentado escalar o local. Ivalda ainda mencionou que a vítima estava a cerca de um metro de profundidade na terra, e que só não estava mais abaixo porque os braços impediram que o corpo descesse.
Seguranças suspeitos
Apesar de não cravar a dinâmica da morte do empresário Adalberto, para a Polícia Civil a hipótese mais provável é a de que a vítima foi morta durante uma briga com um segurança que trabalhou no evento de motocicletas.
O golpe fatal teria sido um mata-leão, visto que o corpo de Adalberto não tinha lesões aparentes. Laudos da Polícia Técnico-Científica de São Paulo concluiram que o empresário morreu por asfixia e tinha lesões nos joelhos.
Em uma coletiva de imprensa, no dia 18 de julho, as autoridades policiais revelaram pela primeira vez a informação de que havia cinco suspeitos pelo crime. Todos são seguranças que trabalharam no evento onde Adalberto foi visto com vida pela última vez. Quatro deles foram conduzidos ao DHPP na mesma data, e um não havia sido localizado na ocasião.
Além deles, um representante da empresa ESC Fonseccas também foi encaminhado ao DHPP. No departamento, todos se silenciaram.
Dois dos suspeitos tiveram os nomes omitidos em uma lista de 184 funcionários enviada à polícia pela ESC Fonseccas. O único divulgado pela investigação foi o de Leandro de Thallis Pinheiro, lutador de jiu-jítsu. Na ocasião, ele chegou a ser preso por porte ilegal de arma e liberado após pagar fiança no valor de R$ 1.804.
Segundo as autoridades, Leandro exercia um cargo de liderança entre os seguranças, apontado como essencial para a operação no dia do evento. No dia seguinte ao desaparecimento do empresário, o lutador não foi trabalhar, levantando suspeitas. A empresa, por sua vez, não reconhece o vínculo do funcionário.
Celulares apreendidos e depoimentos
Junto com os suspeitos, a polícia apreendeu celulares e computadores para apurar possíveis pistas. O DHPP realizou a varredura em ao menos seis aparelhos pertencentes a vigilantes de duas empresas que faziam a segurança no Autódromo de Interlagos naquele dia.
Além disso, o departamento solicitou a relação de seguranças para três empresas que atuaram no autódromo no dia em que a vítima participou do evento de motos, no qual foi visto vivo pela última vez. Funcionários de duas delas foram alvo de apreensões.
Da empresa Malbork, os seguranças Alisson Silva e Leandro Silva, que são irmãos, tiveram seus aparelhos apreendidos, no dia 30 de junho. Foi quando também os celulares de Edmilson Barbosa, Paulo Júnior e dois aparelhos de Paulo Neves, da ESC Segurança, também foram alvo de um auto de apreensão.
Os aparelhos foram submetidos à perícia. No dia 10 de junho, a Polícia Civil analisou, de forma superficial e com autorização prévia, os celulares de Edmilson, Paulo Júnior e Paulo Neves. Os laudos estão anexados ao processo que investiga o caso. A ação corre sob segredo de Justiça.
Em depoimento, Paulo e Edmilson alegaram não terem presenciado e nem terem conhecimento de nenhum acontecido atípico que pudesse ajudar no esclarecimento do caso.
Fonte: www.metropoles.com


































