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MPSP apura ameaças a ex-seminarista que expôs vida sexual de padres

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Metrópoles

O Ministério Público de São Paulo (MPSP) investiga uma série de ameaças dirigidas ao ex-seminarista Brendo Silva, de 33 anos, autor de livro que revela a secreta – e, segundo ele, ativa – vida sexual de padres da Igreja Católica. O autor das intimidações já foi identificado pela Polícia Civil.

Segundo os autos, Brendo passou a sofrer ameaças a partir de abril deste ano, quando lançou o livro A Vida Secreta dos Padres Gays.

Na obra, ele revela segredos sexuais dos religiosos que, mesmo submetidos ao celibato, manteriam relações homossexuais entre si, inclusive com outros homens de menor hierarquia na igreja, como ele próprio, que abandonou o seminário por não querer “viver uma vida dupla”.

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As intimidações foram feitas através do Instagram, por um único perfil. O usuário dirigiu ofensas e ameaças a três contas de Brendo, sendo duas delas pessoais, e uma na qual publica conteúdos referentes à sua pesquisa sobre sexualidade e religião.

“Temos seu endereço, seus dados, tudo. Aguarde. Na hora certa agiremos!”, diz uma mensagem enviada a Brendo pelo autor.

Veja outras intimidações registradas pelo ex-seminarista e investigadas pelo MPSP:

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Brendo passou a receber ameaças em abril deste ano

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Intimidações começaram após ele lançar um livro onde revela segredos da sexualidade de padres da Igreja Católica

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Segundo Brendo, a grande maioria dos religiosos, adeptos ao celibato, são gays e se relacionam entre si

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Comentários do ex-seminarista sobre homossexualidade de padres causou “indignação” em autor de ameaças

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Autor das intimidações já foi identificado pela Polícia Civil

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Em depoimento, investigado disse que se arrependeu e que teria pedido perdão a Brendo, se não tivesse sido bloqueado

Material cedido ao Metrópoles

Autor de ameaças disse que se sentiu “muito ofendido”

Em depoimento à Polícia Civil, o autor das ameaças, identificado como Sérgio Lamego Nepomuceno, afirmou que “é um católico fervoroso” e, por isso, se sentiu “muito ofendido” com o conteúdo veiculado por Brendo no livro e nas redes sociais.

Ele disse que o ex-seminarista “proferiu distorções aviltantes, absurdas, maculando o núcleo do que o sacerdócio representa na vida sacramental católica”.

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Nepomuceno alegou ainda que “convive na igreja e pode afirmar que a maioria dos padres levam o voto do celibato a sério”.

O investigado afirmou que ficou “muito indignado” e que agiu “sem pensar”. Segundo o depoimento, ele não desejava ameaçar Brendo e “jamais faria algo contra ele”.

Já mais calmo, Nepomuceno disse que “percebeu o equívoco que cometeu e se arrependeu amargamente, que inclusive gostaria de poder pedir perdão ao rapaz, e não o fez porque foi bloqueado por ele”.

Ex-seminarista denuncia homofobia, mas MPSP arquiva

Além das ameaças, Brendo apresentou uma denúncia por homofobia, alegando que o autor das intimidações usou termos específicos para caçoar da sua sexualidade.

O MPSP, no entanto, promoveu o arquivamento parcial, alegando que “não há elementos que possam levar a uma tipificação paralela e concomitante do crime de homofobia”.

Ao Metrópoles, a promotoria afirmou que a investigação sobre as ameaças segue. “Foi requerido o envio do processo para a Justiça criminal comum a fim de analisar o crime”, disse o órgão em nota.

Para o ex-seminarista, o arquivamento parcial representa uma omissão por parte do Estado. “O mais revoltante é que o acusado chegou a dizer que eu “deveria virar homem” e afirmou, em depoimento à polícia, que ficou indignado porque eu disse que a maioria dos padres é gay. Isso é homofobia explícita. Como alguém não enxerga isso? Se não enxerga, é porque também é homofóbico”, afirmou à reportagem.

Brendo disse ainda que “o relatório final do inquérito parece mais uma defesa do acusado do que um parecer imparcial”.

“É assustador perceber como a Justiça e a lei continuam a proteger os sistemas de poder, sejam eles financeiros ou religiosos, enquanto deixam vítimas vulneráveis desamparadas. O Estado, mais uma vez, se mostra cúmplice pela omissão e revitimiza a vítima”, concluiu o ex-seminarista.

Fonte: www.metropoles.com