Após a condenação de Jair Bolsonaro (PL), o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos). deve voltar a Brasília para tentar influenciar a Câmara dos Deputados a pautar um projeto para anistia do ex-presidente como um gesto duplo — ao Centrão e ao “bolsonarismo raiz”.
Um aliado próximo de Tarcísio afirma que o governador paulista deve insistir na articulação por um projeto de lei que conceda anistia ao ex-presidente e envolvidos nos ataques de 8 de Janeiro, porque é visto como uma pauta de “pacificação”.
A medida se torna mais importante após o discurso radicalizado de Tarcísio na Avenida Paulista. Na capital federal, o governador tenta dar sinais de que é capaz de conversar com partidos de centro e pode ser visto como um bom articulador político.
Segundo o líder do PL na Câmara dos Deputados, Sóstenes Cavalcante (PL-RJ), Tarcísio voltará a Brasília nesta segunda-feira (15/9).
No entanto, especialistas ouvidos pelo Metrópoles afirmam que a anistia não tem futuro no Congresso Nacional.
O cientista político da Universidade de Brasília (UnB), Murilo Medeiros, diz que deputados do Centrão não estão dispostos a se desgastar em uma pauta que corre o risco de ser vetada no Supremo Tribunal Federal (STF) ou pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). E, portanto, não deve prosperar.
Esse desgaste, porém, estaria em um segundo plano para Tarcísio de Freitas, que tem de fazer sinais à família Bolsonaro, em uma espécie de prévias bolsonaristas das eleições de 2026.
“É um jogo arriscado, mas necessário para que ele receba a bênção do bolsonarismo raiz e viabilize seu projeto presidencial”, diz Medeiros.
A visão é corroborada pelo cientista político Marco Antônio Teixeira, da Fundação Getúlio Vargas (FGV), que destaca a tentativa do governador de mostrar proximidade com setores conservadores.
“A anistia tem possibilidade de êxito quase nula, porque já há quase que um consenso da sua inconstitucionalidade, e ao mesmo tempo, mesmo que ela tenha ambiente pra prosperar na Câmara, ela não avança no Senado”, diz Teixeira.
“Não é um caminho fácil e, por não ser um caminho fácil, o Tarcísio tem que investir nele para mostrar confiança da família, sobretudo, e de certa forma, também ficar na sucessão como alguém que já tenha confiança do mercado e das camadas médias mais conservadoras”, acrescenta.
Fonte: www.metropoles.com


































