Investigações da Receita Federal mostram que mais de 60 motéis eram usados para lavar dinheiro no esquema bilionário em postos de gasolina que liga o Primeiro Comando da Capital (PCC) à Faria Lima. Os estabelecimentos estavam registrados em nome de laranjas e movimentaram R$ 450 milhões entre 2020 e 2024.
De acordo com a Receita, os motéis eram usados para distribuir lucros e dividendos dos envolvidos na organização criminosa. Um dos locais chegou a repartir 64% da receita bruta declarada. As empresas são alvo da Operação Spare, deflagrada nesta quinta-feira (25/9) em São Paulo.
Leia também
-
São Paulo
MPSP faz nova operação contra postos de combustíveis ligados ao PCC
-
Negócios
Alvo da Carbono Oculto, Reag pedirá cancelamento de registro na CVM
-
Brasil
Veja imagens da mega operação “Cadeia de Carbono” da Receita Federal
-
Andreza Matais
Rueda, presidente do União Brasil, vira alvo da PF na Carbono Oculto
Restaurantes localizados nesses estabelecimentos, com CNPJs próprios, também integravam o esquema — um deles distribuiu R$ 1,7 milhão em lucros após registrar receita de R$ 6,8 milhões entre 2022 e 2023.
12 imagensFechar modal.1 de 12
Divulgação/ Receita Federal2 de 12
Divulgação/ Receita Federal3 de 12
Divulgação/ Receita Federal4 de 12
Divulgação/ Receita Federal5 de 12
Divulgação/ Receita Federal6 de 12
Divulgação/ Receita Federal7 de 12
Divulgação/ Receita Federal8 de 12
Divulgação/ Receita Federal9 de 12
Divulgação/ Receita Federal10 de 12
Divulgação/ Receita Federal11 de 12
Divulgação/ Receita Federal12 de 12
Divulgação/ Receita Federal
Empreendimentos imobiliários, especialmente prédios residenciais construídos em Santos, no litoral paulista, na década de 2010, também foram usados pelo esquema. A Receita estima que pelo menos 14 empreendimentos movimentaram R$ 260 milhões entre 2020 e 2024 para fins de lavagem.
Bens de luxo
Além do uso de motéis, a Receita também apurou que os integrantes adquiriram imóveis e bens de alto valor, diretamente ou por meio de empresas patrimoniais e de fachada.
Entre os bens estão:
- Um iate de 23 metros, inicialmente comprado por um dos motéis e depois transferido a uma empresa de fachada, que também adquiriu um helicóptero.
- Um outro helicóptero, modelo Augusta A109E, comprado em nome de um dos investigados.
- Um Lamborghini Urus adquirido por empresa patrimonial.
- Terrenos onde estão localizados diversos motéis, avaliados em mais de R$ 20 milhões.
Estima-se que os bens identificados representem apenas 10% do patrimônio real dos envolvidos.
Fraude no Imposto de Renda
A Receita Federal também detectou que os envolvidos usavam uma estratégia de retificação do Imposto de Renda para aumentar seu patrimônio de forma irregular.
Nesse esquema, declarações antigas e recentes eram retificadas no mesmo dia, com inclusão de altos valores na ficha de bens e direitos da declaração mais antiga sem a correspondente inclusão de rendimentos e pagamento de imposto. Usando desse artifício, membros da família do principal alvo aumentaram seu patrimônio informado de forma irregular em cerca de R$ 120 milhões.
Operação Carbono Oculto
Durante as investigações, foram identificadas conexões entre os alvos da Operação Spare e indivíduos envolvidos em outras ações de combate ao crime organizado, incluindo a própria Operação Carbono Oculto e a Operação Rei do Crime.
Entre os indícios estão transações comerciais e imobiliárias entre os investigados, uso compartilhado de helicópteros e reservas conjuntas de passagens para viagens internacionais.
Fonte: www.metropoles.com

































