A instabilidade causada pelo ciclone extratropical já afetou pelo menos 300 voos em aeroportos de São Paulo e deixou passageiros desamparados desde a manhã dessa quarta-feira (10/12). O Procon-SP esclarece que, mesmo não sendo causadoras dos transtornos, é as companhias aéreas têm obrigação de prestar assistência aos clientes.
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Passageiros de voos cancelados em Congonhas dormem em aeroporto após vendaval
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Passageiros de voos cancelados em Congonhas dormem em aeroporto após vendaval
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Vendaval provocou cancelamentos de voos em Congonhas, que teve filas e passageiros dormindo no chão
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Vendaval provocou cancelamentos de voos em Congonhas, que teve filas e passageiros dormindo no chão
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Jesuina Marques de Oliveira teve voo cancelado em Congonhas por causa de vendaval
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Família ficou sem comer em Congonhas após ter voo cancelado em razão de vendaval
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Passageiros dormem no Aeroporto de Congonhas após cancelamento de voos
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Fiscais do Procon no Aeroporto de Congonhas, em SP
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No primeiro momento, se a viagem tiver, no mínimo uma hora de atraso, as empresas devem providenciar ao consumidor acesso à internet e a telefonemas. Nos casos de pelo menos duas horas, o passageiro pode exigir alimentação, enquanto a partir de quatro horas, a companhia aérea é obrigada a fornecer acomodação ou hospedagem e transporte.
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O consumidor deve procurar o responsável pela aviação civil dentro do aeroporto, ou o balcão de embarque da companhia para verificar as soluções oferecidas por eles. Se não conseguir resolver diretamente com a empresa, deve procurar o órgão de defesa do consumidor de sua cidade ou estado.
De acordo com o Código de Defesa do Consumidor (CDC), o passageiro tem direito a:
- Informação prévia quanto ao cancelamento do voo nos canais de atendimento disponíveis das companhias aéreas;
- Viajar, tendo prioridade no próximo embarque da companhia aérea com o mesmo destino;
- Ser direcionado para outra companhia (sem custo);
- Receber de volta a quantia paga ou, ainda, hospedar-se em hotel por conta da empresa. Se o consumidor estiver no local de seu domicílio, a empresa poderá oferecer apenas o transporte para a sua residência e desta para o aeroporto.
- Ressarcimento ou abatimento proporcional no caso de ocorrer algum dano material devido ao atraso como, por exemplo, perda de diárias, passeios e conexões;
- Pleitear reparação junto ao Judiciário se entender que o atraso lhe causou algum dano moral (não chegou a tempo a uma reunião de trabalho, casamento etc.).
- O consumidor também deve guardar o comprovante de eventuais gastos que tiver em decorrência do atraso ou cancelamento, como chamadas telefônicas, refeições, hospedagem, entre outras.
Passageiros afetados
Nos últimos dois dias, passageiros do Aeroporto de Congonhas passaram horas nas filas e viram diversas viagens serem canceladas. Pessoas de outros estados e estava fazendo escala em São Paulo foram os mais prejudicados.
Sandra dos Santos Silva, de 38 anos, tinha um voo do Rio de Janeiro para Cuiabá (MT), com escala na capital paulista. O primeiro voo estava marcado para sair do Rio às 12h40, mas atrasou 3 horas, já com os passageiros dentro da aeronave. Quando o avião partiu do Aeroporto Santos Dummont, acabou pousando em São José dos Campos por causa da ventania em São Paulo.
A Gol pagou um transporte para trazer os passageiros para Congonhas, mas quando Sandra e a família, finalmente, chegaram à capital paulista, o voo para Cuiabá também foi cancelado.
“A Gol afirmou que a gente pagaria a alimentação e o hotel e depois eles estornavam. Mas e se a gente não tem dinheiro? Nós somos em seis. Já pensou pagar a hospedagem e comida pra seis pessoas? É muito caro, a gente não tem esse dinheiro. Por isso a gente dormiu aqui no chão [do Aeroporto]”.
Ela, o marido e os quatro filhos ficaram mais de 24 horas sem comer, por não ter condições de pagar as refeições nos restaurantes do aeroporto. “A gente vai ter que pedir cinco marmitas pelo iFood que é mais barato, porque aqui dentro [do Aeroporto] não temos condições de bancar”. Uma funcionária que viu a situação da família também ofertou algumas frutas que tinha em sua marmita pessoal.
O número alto de voos cancelados também impactou os hotéis da região. A auxiliar de limpeza Josenilda Santos Loureira, 50 anos, enfrentou uma verdadeira saga em busca de um quarto para descansar com a família.
“Nos mandaram para um hotel que reservaram. Quando chegamos, não tinha vaga. Não tinha reserva nenhuma. Nós saímos daquele hotel e fomos procurar outro, por nossa conta. Fomos em 5 hotéis e um motel e não encontramos nenhuma vaga”, disse ela, que viajava pela Latam.
No final, a família acabou dormindo na área comum de um dos hotéis que estavam com quartos lotados.
O que dizem as companhias aéreas
Em nota ao Metrópoles, a Azul confirmou o cancelamento dos voos nas regiões Sul e Sudeste do país. “A companhia ressalta que os clientes impactados estão recebendo a assistência prevista na resolução da Anac. Por liberalidade, a Azul também está flexibilizando sua política de remarcação afim de minimizar os impactos aos seus passageiros. Com isso, clientes com passagens emitidas para os dias 11 e 12 de dezembro poderão alterar suas viagens até o dia 18 de dezembro gratuitamente ou, ainda, se optarem pelo cancelamento do voo, manter o crédito integral do valor pago para utilizar em outra oportunidade, em até 1 ano a partir da data de emissão do bilhete”, informou.
A Latam confirmou em nota que ainda nesta quinta (11/12) ainda há reflexos dos impactos metereológicos. “A empresa orienta que o cliente consulte o status do seu voo antes de se dirigir ao aeroporto, e altere a sua viagem se necessário. Clientes que não residem em São Paulo e necessitem de acomodação por conta de voos afetados podem permanecer na fila para atendimento ou reservar seu hotel e transporte por meios próprios. Nesse segundo caso, o cliente deve guardar o seu comprovante de pagamento para que a companhia possa proceder com o reembolso. Basta escrever para a Latam pelo WhatsApp e não é necessário fazer isso de imediato”.
Já para os voos que não foram cancelados entre ontem e hoje mas que tinham como origem, destino ou conexão São Paulo, a Latam destacou que também é possível pedir alteração na data de viagem sem custo para viajar dentro dos próximos 15 dias. ” Essa alteração deve ser realizada antes da partida do voo original e é uma medida que ajuda a descongestionar os aeroportos e liberar assentos para quem realmente necessita viajar nestas datas”.
Procurada, a Gol afirmou que nesta quinta (11/12) as operações seguem regulares nos aeroportos de Congonhas e Guarulhos. “Devido às condições meteorológicas adversas no estado de São Paulo – um fator totalmente alheio ao controle da Companhia – alguns voos foram cancelados ou sofreram atrasos na quarta-feira (10/12). Como consequência da grande contingência de ontem, novos atrasos podem ocorrer ao longo do dia de hoje (11/12). Para maior comodidade, clientes impactados pelos atrasos e cancelamentos de ontem (10/12) que tenham disponibilidade para alterar seu voo podem fazê-lo sem custos adicionais. A mudança é autorizada dentro da validade do bilhete, mantendo a mesma origem e destino, e não é necessário comparecer ao aeroporto para realizá-la”.
A Aena, empresa que administra o Aeroporto de Congonhas, informa que, em razão das condições meteorológicas registradas ontem, com rajadas de vento acima de 90 km/h, e dos ajustes necessários à malha aérea, há 39 chegadas e 28 partidas canceladas na manhã desta quinta-feira (11/12).
“Toda a infraestrutura operacional do Aeroporto de Congonhas está disponível, assim como todos os serviços para atendimento aos passageiros. A Aena orienta que os passageiros com viagens programadas verifiquem a situação de seus voos diretamente com as companhias aéreas antes de se deslocarem ao aeroporto”, afirma a concessionária em comunicado.
Fonte: www.metropoles.com

































