O Agibank, que teve empréstimos consignados suspensos pelo Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) nesta quarta-feira (3/12), já recebeu R$ 14,8 bilhões com os descontos nos contracheques dos aposentados. Hoje, o banco tem uma carteira de 1,57 milhão de consignados.
A suspensão, publicada em Diário Oficial da União, ocorre após uma auditoria identificar mais de mil contratos assinados depois da morte dos aposentados contratantes, entre 2023 e 2025. A Controladoria-Geral da União (CGU) identificou as irregularidades. O órgão também enviou o caso para investigação da Polícia Federal (PF).
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Também foi aberto um processo administrativo que pode culminar com a rescisão do acordo de cooperação técnica com o banco, que permite sua atuação na área de consignados firmados com beneficiários da previdência social.
O Metrópoles revelou que o Agibank foi um dos bancos que tiveram crescimento vertiginoso nos últimos cinco anos. O banco tinha 20 mil empréstimos ativos em junho de 2021 e chegou a 409 mil em outubro do mesmo ano.
Os dados foram obtidos por meio da Lei de Acesso à Informação junto ao INSS. Entre janeiro de 2020 e outubro de 2025, o faturamento das 87 instituições financeiras habilitadas pelo instituto para fazer consignados dobrou e chegou a R$ 466 bilhões.
Consignados com mortos
Entre os achados, há uma quantidade grande de contratos sem consentimento dos beneficiários. O mais grave deles foi sobre os mortos. Foram identificados 1.192 contratos assinados após a data do óbito somente entre 2023 e 2025.
Também foram feitas operações de refinanciamento com taxas de juros muito abaixo do teto de 1,85% ao mês. Mais de 33 mil contratos foram feitos com taxas inferiores a 1% e 5,2 mil com taxas abaixo de 0,4%.
A suspeita é de que os montantes não condizentes com valor de mercado tenham sido registrados para não chamar atenção das autoridades e fazer com que esses contratos ficassem abaixo do radar de controles de regularidade desses empréstimos.
Explosão de consignados
O Agibank acumula reclamações no Judiciário sobre portabilidade indevida de suas contas de aposentadoria para o banco.
Na área de consignados, o Agibank tem recebido condenações para indenizar aposentados por descontos indevidos de empréstimos. Sentenças levantadas pela reportagem mostram casos em que o banco não apresenta à Justiça prova mínima de que um aposentado contratou seus serviços.
Nos últimos meses, o INSS chegou a suspender o contrato dele em razão dessas queixas. O banco acabou assinando um termo de ajustamento de conduta no qual se comprometeu a não dificultar mais a portabilidade para outras instituições e a ser mais transparente com os segurados. Com conclusão da investigação, o banco volta a ser punido.
Antes de ser um banco, o Agibank chamava-se Agiplan e era um correspondente bancário do empresário gaúcho Marciano Testa. Em 2016, ele adquiriu o falido Banco Gerador, de Recife, e mudou seu nome dois anos depois. Em 2019, passou a oferecer crédito consignado e, em 2020, assinou seu termo de cooperação com o INSS para poder oferecer o produto a aposentados.
A reportagem buscou a assessoria de imprensa do banco para pedir um posicionamento sobre recente a decisão do INSS. O espaço está aberto para atualizações.
Fonte: www.metropoles.com































