A vereadora Cris Monteiro, do partido Novo, tenta aprovar na Câmara Municipal de São Paulo a cessão, pelos próximos 90 anos, de um terreno de cerca de 400 m² a uma instituição ligada ao assessor do próprio partido, Edson Teixeira.
Conhecido como Edson Japão, o funcionário da Casa já foi suplente do partido Novo na Câmara e trabalha, atualmente, como assessor de liderança de representação da sigla, cuja única parlamentar eleita na Câmara Municipal é Cris Monteiro. Além disso, ele é fundador do Instituto Eu Acho um Absurdo. Nas redes sociais, a ONG, inclusive, publica com frequência conteúdos com a vereadora, incluindo pedidos de voto (veja imagens abaixo).
Nessa quarta-feira (3/9), enquanto a Câmara Municipal discutia o projeto de lei que autoriza a venda de espaços públicos da cidade de São Paulo, Cris Monteiro usou os minutos de fala para apresentar uma emenda que cedia uma área pública para o instituto do parceiro de sigla.
O imóvel em questão fica entre as ruas Amadeu Bassi e Leon Carvalho, em Cidade Ademar, zona sul de São Paulo — no quarteirão ao lado do Instituto — e está ocupado por vegetação. Para justificar a emenda, Cris Monteiro disse aos colegas que a medida beneficiaria uma escola que promove atividades com crianças da região.
“Fica o Poder Executivo autorizado a ceder, mediante cessão administrativa, independente de concorrência, o uso das seguintes áreas de propriedade municipal:
I – área localizada entre a rua Amadeo Bassi e a Rua Leon Carvalho, pelo prazo de 90 anos, prorrogável a critério da Administração, Instituto Eu Acho um Absurdo, para fins de promover atividades culturais, esportivas, lazer e de defesa de interesses sociais”, diz trecho da emenda apresentada por Cris Monteiro.
O texto acabou ficando de fora da votação após alguns vereadores argumentarem falta de tempo para avaliação e a necessidade do requerimento passar pelos trâmites burocráticos da Prefeitura.
Depois de um intervalo de 5 minutos, a vereadora decidiu retirar a emenda da pauta, mas disse que retornaria com a proposta em uma outra ocasião. Além disso, convidou os colegas a conhecer a área que seria cedida.
Ao Metrópoles, Cris Monteiro esclareceu, em nota, que ao tomar ciência de que havia uma discussão em andamento entre a subprefeitura e uma escola municipal sobre a responsabilidade da área, optou por retirar a emenda.
Sobre a ONG, ela defendeu que o “Instituto Eu Acho um Absurdo desenvolve um amplo trabalho social em São Paulo, já tendo atendido mais de 70 comunidades com apoio voluntário e atualmente oferecendo atividades de assistência social, educação, esporte, cultura e lazer, que impactam diretamente cerca de 400 pessoas por semana.”
Venda e cessão de ruas em São Paulo
Na última quarta-feira (4/9), a Câmara Municipal aprovou, em segundo turno, um projeto de lei de autoria do prefeito Ricardo Nunes (MDB) que autoriza a venda de uma rua nos Jardins, na zona oeste de São Paulo, para a iniciativa privada.
Durante as duas votações do projeto, vereadores da Câmara Municipal apresentaram oito emendas com novos endereços para serem privatizados pela Prefeitura de São Paulo com o aval da Casa.
Uma delas é da vereadora Zoe Martinez (PL) e autorizou a venda de um terreno de 140m² na Avenida Brigadeiro Faria Lima. Em nota, o gabinete da parlamentar defendeu a medida dizendo que o local está vazio há anos e que a venda poderia gerar recursos para áreas como saúde, educação e infraestrutura.
Outra emenda é do vereador Thammy Miranda (PSD), que autoriza a venda da Rua Olga Lopes Mendonça, na Vila Leopoldina, zona oeste da cidade. O endereço, localizado ao lado de um petshop, virou um local isolado por muros.
Fonte: www.metropoles.com


































