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Vídeo traz pistas sobre chave de viela onde PM matou policial civil

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Imagens da câmera corporal do PM o mostram correndo pela rua Pedro Faber, na tarde de 11 de julho, até chegar a um portão de ferro. Com a chave, ele abre rapidamente a fechadura e segue pela viela. De repente, dá de cara com o policial civil e dispara quatro disparos de fuzil.

A versão dos PMs é de que a chave teria sido encontrada em uma escadaria próxima ao portão. Em interrogatório no dia 26 de agosto, o delegado afirmou que a equipe de investigação teria tido acesso a outras imagens, anteriores às divulgadas, em que os PMs aparecem na rua de trás. Segundo Antônio Giovanni, em nenhum momento é possível ver o sargento encontrando a chave.

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“A gente tem a bodycam e a gente tem filmagens do percurso de vocês, de vocês chegando antes. E essa chave em nenhum momento foi encontrada. Pelas filmagens que a gente tem, dá para ver que vocês já tinham posse, pelo menos o sargento Marcos já tinha posse dessa chave”, afirmou o delegado, de acordo com a transcrição do interrogatório anexada ao processo.

O cabo Robson, no entanto, insiste na versão de que o objeto teria sido achado na escadaria. “Não, não tínhamos posse [da chave], doutor. Os outros membros inclusive da viatura também não sabiam da existência da chave.”

O advogado do PM, Wanderley Alves, que estava presente durante o interrogatório, pediu, então, para ter acesso às novas imagens. Questionado pelo Metrópoles, ele disse que o vídeo não capta o local em que a chave teria sido achada.

“Essa imagem só mostra um escadão. Mostra policiais desembarcando na rua e entrando nesse escadão. Só isso. Não mostra nada do escadão, porque não tem câmera lá”, afirma Wanderley Alves.

Motivo da incursão

Na sequência, o delegado Antônio Giovanni faz uma série de questionamentos sobre por que a equipe teria decidido fazer uma incursão pela viela. Robson afirma que a decisão partiu do sargento Marcus Augusto.

“A determinação de toda a dinâmica do patrulhamento, ela se dá por determinações do comandante de equipe. Então, o comandante de equipe determina qual vai ser a dinâmica do serviço”, disse o cabo Robson.

Segundo ele, a equipe já havia decidido ir até a biqueira, que seria um ponto conhecido de tráfico de drogas, quando, por acaso, encontraram a chave. O cabo afirma que, mesmo que a chave não tivesse sido encontrada, eles dariam um jeito de acessar a biqueira, passando pelo portão.

O delegado cita um trecho do depoimento do sargento Marcus Augusto em que ele diz que teria visto um vulto indo em direção ao portão. Questionado, Robson nega ter visto o suposto vulto.

“O que eu estou querendo deixar claro é o seguinte: para você fazer uma incursão de um modo dinâmico, você precisa de um motivo, correto? O motivo dessa incursão, do modo como ele incursionou, tem que ser esse vulto, não teria outro”, disse a autoridade policial.

Mesmo PM, outra vítima

Um mês antes da ocorrência que vitimou o policial civil Rafael Moura, o sargento Marcus Augusto havia matado um suspeito a menos de 500 metros do local. A vítima, Rick Alves Marinho, de 27 anos, foi atingida por um tiro na parte de trás da cabeça.

Em seu depoimento, o sargento Marcus Augusto Costa Mendes disse que, no momento da ocorrência, estava em patrulhamento com o cabo Robson Santos Barreto, quando a dupla decidiu verificar um ponto conhecido de tráfico de drogas, na rua Lisse, no Capão Redondo.

Ele relata que, chegando ao local, se deparou com quatro indivíduos que teriam corrido. Um deles teria entrado em uma casa, sendo seguido pelos PMs.

De acordo com os policiais militares, foi necessário efetuar disparos porque o suspeito estaria armado. O boletim de ocorrência não especifica quantos disparos efetuou cada um dos PMs, nem quantos foram disparados no total. As armas foram apreendidas.

Fonte: www.metropoles.com