O Ministério Público de São Paulo (MPSP) instaurou um inquérito para apurar uma publicação feita pelo jogador Vitor Roque, do Palmeiras, por suposta homofobia contra os torcedores do São Paulo, após uma partida entre os dois times.
Na ocasião, em 5 de outubro, Palmeiras e São Paulo jogaram pelo Brasileirão. O time alviverde venceu por 3 a 2, em uma virada sobre o tricolor.
Após a vitória, o atacante publicou em seu perfil oficial no Instagram a imagem de um leão devorando um veado – uma alusão homofóbica aos torcedores do São Paulo, conforme apontou o MPSP.
Veja:
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Roque fez uma publicação de cunho homofóbico
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Atleta afirmou que postagem “foi só uma brincadeira”
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Vitor Roque pode ter de cinco a 10 partidas de punição
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Vitor Roque
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“Segundo consta, apesar de retirada a publicação, teria o atleta firmado acordo com o Superior Tribunal de Justiça Desportiva (STJD) em que reconhece responsabilidade sobre a publicação de cunho homofóbico”, afirmou o promotor Ricardo Manuel Castro em portaria que instaura o inquérito.
Castro destacou ainda que uma decisão de 2019 do Supremo Tribunal Federal (STF) criminaliza a homofobia e a transfobia, equiparando-as ao crime de racismo. Em 2023, o plenário da corte confirmou que ofensas contra pessoas LGBTQIA+ podem ser enquadradas como injúria racial.
Liberdade de expressão
A promotoria destacou que “o direito à liberdade de expressão não é absoluto”, que sua extensão “deve variar conforme o contexto em que é exercido”.
Nesse sentido, Castro afirmou que é necessária maior responsabilidade por ideias transmitidas em redes sociais, “que poderiam conferir maior amplitude à incidência da liberdade de expressão”.
“A publicação discriminatória excede em tese os limites da liberdade de expressão, podendo caracterizar crime e justificar a existência de dano moral coletivo”, afirmou.
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Vitor Roque é investigado por suposta homofobia
O promotor decidiu, na última quarta (19/11), instaurar inquérito civil para apurar os fatos. Ele também solicitou ao STJD informações sobre o acordo firmado com Roque e informações atualizadas sobre o andamento. O prazo de resposta é de 30 dias.
O Palmeiras também foi requisitado para fornecer informações sobre a adoção de medidas disciplinares contra o atacante. O prazo estipulado, neste caso, é de 15 dias.
Em 13 de novembro, o atleta se pronunciou pela primeira vez sobre o caso. Em coletiva de imprensa, Roque afirmou que a situação não passou de uma brincadeira e que os advogados do Palmeiras estão trabalhando no caso.
“Não vejo motivo para suspensão, uma conversa educativa já é válida. Não foi homofobia, foi só uma brincadeira”, declarou Vitor Roque. “Não temo ser suspenso. Os advogados do Palmeiras estão trabalhando”, finalizou o atacante sobre o assunto.
Vitor Roque e o Palmeiras foram procurados para comentar o caso, mas não retornaram até a publicação desta reportagem. O espaço segue aberto.
Fonte: www.metropoles.com


































